Projeto de Controle Biológico foi apresentado 'SparcBio': R$ 40 milhões serão investidos em Centro de Pesquisas inédito


Por Henrique Inglez de Souza


Foi lançado, nesta terça-feira (11), em cerimônia realizada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Projeto 'SparcBio (São Paulo Advanced Research Center for Biological Control)', cujo foco está no desenvolvimento de um novo modelo de manejo de controle de pragas e doenças para a Agricultura Brasileira. A iniciativa selou parcerias com Instituições do País e Estrangeiras. Além da Esalq, encabeçam a empreitada a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a 'Koppert Biological Systems'. O grupo deve investir R$ 40 milhões nos próximos anos em um Centro de Pesquisas, instalado no Departamento de Entomologia e Acarologia, da Universidade.

Uma Agricultura mais sustentável é o que pretende o 'SparcBio', e isso será trabalhado por meio de uma série de abordagens. Uma delas será redesenhar a cultura dos produtores rurais, como salientou o professor José Roberto Postali Parra, diretor do Projeto.
"O agricultor falou: 'meu avô aplicava inseticida, meu pai aplicava inseticida, então, vou aplicar inseticida'. Existe esse problema cultural, e isso é duro", explicou. "Mostraremos o que é controle biológico e como se faz". A tarefa, portanto, será reeducar. Além de produtores rurais, Parra salienta que as informações precisam chegar de forma correta a outros setores, como a mídia, e à população.
"Eu diria que há um desconhecimento total em relação a controle biológico. O pessoal não tem noção", afirmou o professor, que é uma das autoridades brasileiras no assunto. "Tem até gente radical que atrapalha muito. São os que dizem que controle biológico será a solução de todos os problemas".

O diretor do 'SparcBio' avaliou que o controle biológico vem angariando mais espaço. Porém, não substituirá completamente os Agroquímicos. "Não resolverá tudo, de uma vez. Então, esse radicalismo é ruim". A técnica abraçada pelo projeto recém-lançado é quase totalidade em algumas culturas, como a da cana-de-açúcar. Entretanto, em outras, ainda está incipiente.

Um dos problemas atuais é a falta de disponibilidade de insumo biológico. Ou seja, não haveria produtos o suficiente para dar conta de uma eventual grande demanda. "É por aí que temos que incentivar", completou Parra. "Precisamos mostrar o que é controle biológico, para que tenhamos empresas que produzam e ofertem ao agricultor quando ele quiser".

Bala na agulha

Entre as linhas de pesquisa exploradas pelo 'SparcBio' estão a descoberta de novos agentes biológicos de controle, o desenvolvimento de novas tecnologias e a geração de conhecimento em manejo integrado de pragas e doenças. O Centro promoverá a transferência de conhecimento para empresas e também para a sociedade. Algo como dar a vara e ensinar a pescar.

Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Viçosa (UFV) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) são algumas das parceiras brasileiras.

Do Exterior, participam pesquisadores de instituições como University of Minnesota e University of California (Estados Unidos), Institut National de la Recherche Agronomique/INRA (França) e University of Copenhagen (Dinamarca). O 'SparcBio' quer, ainda, estreitar a interação entre os estudos que desenvolve com o Sistema Educacional dos níveis fundamental e médio.

Investimentos


Os investimentos no 'SparcBio' virão da Fapesp, por meio do Programa 'Centros de Pesquisa em Engenharia', e pela 'Koppert'. Como contrapartida, a Esalq proporcionará recursos para infraestrutura de pesquisa e custos de pessoal. "É um Projeto inovador no Brasil, o primeiro modelo de parceria público-privada no setor de controle biológico", destacou o diretor industrial da Koppert, Danilo Pedrazzoli.


Ele continuou: "O Centro nasceu de uma demanda da própria Comunidade Científica no levantamento das necessidades e carências do Setor - investimento em Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias". Ainda sobre o quê inovador do Projeto, Pedrazzoli ressaltou que a técnica é uma alternativa nova e atrativa ao Setor de Proteção de Cultivos.

"O Brasil tem um modelo agrícola que por muitos anos dependeu do controle químico para pragas e doenças. Isso gera problemas técnicos, como espécies resistentes. O controle biológico vem para quebrar essa resistência".

Fonte:Gazeta de Piracicaba em 12-02-2020

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