Startup de controle biológico desenvolve “vacina” para ferrugem asiática da soja


Produto deverá completar portfólio da Gênica, de Piracicaba (SP), que recebeu aporte de R$ 6 milhões para P&D

De acordo com o CEO da Gênica, a proposta da startup é que o produtor utilize os defensivos naturais consorciados com os produtos químicos, e a modalidade vem sendo reconhecida por instituições de pesquisa como eficaz.)

A startup Gênica, de Piracicaba (SP), já promove o controle biológico em algumas culturas de grãos, cana-de-açúcar e hortaliças, mas é na produção de soja que prevê expandir sua atuação nos próximos anos. Para isso, além de combater pragas e doenças com o uso de organismos vivos, está desenvolvendo um produto que deverá atuar como uma espécie de vacina contra a ferrugem asiática, principal doença da oleaginosa no Brasil.

O CEO da Gênica, Marcos Petean, explica que, com o produto, será possível ativar determinados genes da soja para que a própria planta se proteja contra a doença. “Mas é importante enfatizar que a ativação de genes não significa transgenia.

A soja não vai se tornar um alimento transgênico”, diz. O produto deverá ser lançado em 2020.A nova tecnologia vai completar o portfólio da Gênica, especializada em controle biológico. Esse conceito considera que, com o uso de inimigos naturais, como insetos, fungos, parasitoides ou bactérias, é possível combater patógenos e manter a qualidade da lavoura. De acordo com o CEO da Gênica, a proposta da startup é que o produtor utilize os defensivos naturais consorciados com os produtos químicos, de forma complementar, para explorar o que cada um tem de melhor.Petean não divulga o faturamento, mas diz que a empresa está crescendo e quer ampliar a atuação na área de desenvolvimento tecnológico.

Presente no mercado desde 2014, a startup recebeu em 2018 um aporte de R$ 6 milhões da gestora de investimentos de venture capital SP Ventures. Segundo o CEO da Gênica, o investimento está sendo distribuído em pesquisa, desenvolvimento e aumento da equipe comercial para a divulgação de novos produtos.“Controle biológico é um segmento que ainda está crescendo no Brasil e também em nível mundial. Temos observado um aumento no tamanho do mercado e na consistência da tecnologia no campo”, afirma.Para o CEO, a confiança dos produtores no segmento de controle natural está aumentando, o que ajuda o mercado a crescer. “Atualmente, grandes órgãos de pesquisas, como a Embrapa, têm apresentado que essa forma de controle tem boa eficácia e consistência no campo.

Quando algo é apoiado por elas, o produtor adere com mais tranquilidade”, diz.A diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio) Amália Pizentim Borsari, concorda com a visão de que o apoio de grandes instituições ajuda a fortalecer o mercado. Para ela, o crescimento do setor nos últimos anos é nítido.

A produção de biodefensivos ainda é apenas um nicho em comparação com o espaço ocupado pelos defensivos químicos. Entretanto, segundo a diretora executiva da ABCBio, o segmento é pequeno, mas o mercado é grande, tornando as possibilidades de crescimento mais viáveis.“Estão surgindo novas tecnologias e linhas de pesquisa [de controle biológico]. Além disso, grandes empresas que produzem agroquímicos e de outras áreas de atuação, como nutrição de plantas, estão entrando nesse mercado”, diz Amália.Nesse cenário, algumas empresas do segmento entram na mira de grandes companhias, pois acaba sendo mais fácil para uma corporação comprar uma pequena já especializada do que investir em pesquisa e desenvolvimento desde o início.Na mira das grandes

A Stoller, multinacional que desenvolve soluções para nutrição de plantas, é um exemplo de grande empresa que resolveu entrar no segmento de controle biológico. Em 2016, a companhia comprou a Rizoflora, startup de produtos biológicos. A antiga Rizoflora tornou-se a linha de produtos Rizotec, integrando o portfólio de controle de pragas da Stoller.A aquisição da mineira Insecta pela paulista Promip, em 2015, é mais um exemplo.

A Promip, que já era do ramo de biotecnologia e manejo integrado de pragas, comprou a Insecta que produzia insumos para a fabricação das vespas Trichogramma pretiosum e Trichogramma galloi. A intenção era diversificar o portfólio.Outro caso é o da desenvolvedora de biodefensivos Bug Agentes Biológicos, startup fundada em Piracicaba (SP) em 2001 e comprada pelo grupo holandês Koppert Biological Systems em dezembro de 2017.Em junho de 2018, a Santa Clara Agrociência, empresa de inovação tecnológica na área de nutrição vegetal, iniciou uma parceria com a Embrapa e com o Sebrae para ampliar sua atuação no segmento de biodefensivos.

Com duração de três anos, a parceria envolve investimentos de R$ 2,4 milhões.Segundo Amália, da ABCBio, para o mercado, a aquisição de pequenas por grandes empresas ajuda a difundir as tecnologias de controle biológico. Para ela, as grandes querem, cada vez mais, conhecer e criar soluções para todas as etapas da produção agrícola, o que acaba sendo positivo.O CEO da Gênica também vê como positivo o interesse das companhias agrícolas no controle biológico. “Muitas empresas vão ingressar nesse segmento, pois a demanda é crescente” avalia.

Fonte:DCi em 01/08/18 por Rebecca Emy

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