Bioinseticida que combate o bicudo na cana é desenvolvido em São Paulo

A tecnologia vai garantir o controle do bicudo, uma das principais pragas da cana, e também gerar ganhos de até 20 toneladas por hectare

O Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realiza pesquisa inovadora para o desenvolvimento de uma formulação para o combate do bicudo – uma das principais pragas da cultura da cana-de-açúcar – com o uso de nematoide entomopatogênico (NEP).

Com aplicação facilitada no campo, o bioinseticida em desenvolvimento no IB garante o controle biológico da praga e pode gerar ganhos de até 20 toneladas de cana-de-açúcar por hectare. O trabalho está sendo desenvolvido no Centro Experimental do IB, em Campinas, que completa 80 anos em 2017.

 

De acordo com o pesquisador do IB, Luís Garrigós Leite, o trabalho do Instituto mostrou que o controle biológico do bicudo por nematoide pode gerar ganhos de 20 toneladas de cana por hectare. “O bicudo reduz em até 30 toneladas a produção de cana-de-açúcar. A praga é difícil de ser controlada mesmo com o uso de agroquímico. Com a utilização do nematoide, proposto pelo IB, conseguimos minimizar essa perda, o que é uma vantagem para o canavicultor”, explica.

 

Controle do bicudo

O bicudo é considerado uma das principais pragas da cultura da cana em função dos danos e por ocorrer em uma área extensa, atingindo os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Paraná. O pesquisador explica que os nematoides são pequenos vermes que vivem no solo e se alimentam de insetos que atacam as raízes das plantas.

 

Os NEPs são bastante eficientes para o controle de pragas subterrâneas por se locomoverem no solo em busca do inseto hospedeiro, atuando como um míssil capaz de localizar e atingir o seu alvo. Esse mesmo ambiente é considerado uma barreira para a atuação dos produtos químicos, reduzindo a sua eficiência.

 

Segundo Leite, esse agente é um inimigo natural do bicudo e, por isso, é utilizado para combater a praga. “Isso é chamado de controle biológico, quando a natureza controla a natureza. Os agentes de controle biológico agem em um alvo específico, não deixam resíduos nos alimentos, são seguros para o trabalhador rural, protegem a biodiversidade e preservam os polinizadores”, explica.

 

Centro Experimental

O Centro Experimental do IB é referência brasileira em controle biológico e desenvolve pesquisas para seu uso na cana-de-açúcar, soja, plantas ornamentais, morango, banana e seringueira. Além dos trabalhos de pesquisa, o IB assessora a implantação de biofábricas para a produção desses agentes no Brasil e no exterior. Ao todo, 46 biofábricas são assessoras pelo IB, que geram, aproximadamente, dois mil empregos diretos e indiretos.

“O IB tem expertise em controle biológico, uma área que cresce 20%, aproximadamente, por ano. Em julho deste ano, lançamos o Programa de Inovação e Transferência de Tecnologia em Controle Biológico (Probio), que reúne as tecnologias e serviços prestados no IB nesta área. Queremos fortalecer o uso do controle biológico, uma tecnologia eficiente e ambientalmente sustentável”, afirma Antonio Batista Filho, diretor-geral do IB.

Fonte:SFagro 07-09-2017

 


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