Centro-oeste desenvolve primeiro biofertilizante à base de algas marinhas


Atualmente, os produtores brasileiros usam extratos de macroalgas importados da Irlanda e da África do Sul

O Brasil terá a primeira tecnologia de biofertilizante à base de extrato de algas marinhas genuinamente nacional. O produto vai permitir o aumento da fertilidade, qualidade e produtividade nas lavouras do país, com menor custo. Os produtores brasileiros usam extratos de macroalgas importados da Irlanda e da África do Sul.

Os estudos estão sendo feitos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com a startup Dimiagro. As pesquisas são realizadas em uma fazenda em Formosa (GO) e em uma propriedade localizada no Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), área rural de Planaltina.

O teste vai identificar macroalgas da biodiversidade brasileira para a obtenção do extrato e cianobactérias. “Estamos estudando um sistema de produção de alguma alga tropical da costa brasileira que se desenvolva em tanques, em Brasília e na região do Entorno”, explica o engenheiro agrônomo Cesar Behling, pesquisador da Embrapa Agroenergia, responsável pelo projeto.

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Os fertilizantes feitos de macroalgas marinhas são ricos em nutrientes, componentes orgânicos e elementos como cálcio, nitrogênio e potássio. Eles podem ser usados em qualquer cultura e sua aplicação na lavoura desencadeia uma série de benefícios às plantas. Estudos demonstram um aumento de 37% no peso de uma unidade de alface, maior diâmetro médio nas cenouras e ganhos na quantidade de tubérculos na planta da batata.

O diferencial na pesquisa brasileira é o avanço dos estudos que demonstram a eficácia de algumas algas selecionadas para a produção no Brasil de biofertilizantes. A proposta é prover nutrientes e luminosidade adequada para maximização do crescimento dos organismos de interesse, com a produção das macroalgas próximo aos locais de maior consumo.

Menor custo

“A grande vantagem da fabricação do extrato em grande escala no país é que vai baratear os custos para a aplicação nas lavouras nacionais. Importar ainda é muito caro, porque o preço depende da cotação do dólar”, enfatiza Gregori Boligon Vieira, dono da Dimiagro Fertilizantes, empresa de nutrição de plantas. O empresário abraçou a parceria com a Embrapapara a produção do extrato. De acordo com Viana, está comprovado que o produto aumento até 15% a produtividade de lavouras de soja, milho, feijão, banana, uva e outras culturas

O convênio entre a Embrapa e a Dimiagro será realizado hoje, na abertura da AgroBrasília 2018, no PAD-DF, uma das principais vitrines das inovações tecnológicas do setor agropecuário brasileiro.

Fonte: Correio por Marlene Gomes em15/05/2018


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