Mau tempo atrapalha produção de vinho orgânico na França

Lúcia Müzell

O verão frio e chuvoso na França não está deixando somente os turistas decepcionados: a rara aparição do sol provoca um índice de ocorrência de pragas nos vinhedos franceses como não se via há muitos anos. Com um tempo tão ruim, muitos viticultores adeptos da agricultura orgânica têm pensado duas vezes na decisão de não usar agrotóxicos comuns para evitar mais prejuízos.

O presidente da Federação Nacional dos Vinhos de Agricultura Orgânica, Alain Reaut, lamenta a situação e explica quais são os métodos que o setor dispõe para conter o avanço das pragas. "Somente o sudeste da França está se saindo bem. Todo as outras vinícolas do país estão sendo atingidaas", afirma. "Na agricultura orgânica, nós trabalhamos somente com os chamados produtos de contato, ou seja, nós o aplicamos sobre as folhas, seja cobre ou dióxido de enxofre, e ele fica ali à espera da ação das pestes e as destrói. O problema é que como se trata de um produto apenas de contato, ele permanece sobre as folhas somente até vir a próxima chuva."

Diante das adversidades, muitos produtores acabam tentados por agrotóxicos mais potentes, mas nem isso é garantia de manter os vinhedos saudáveis. Claire Naudin, produtora de vinhos do chauteau Naudin-Ferrand, na região de Bourgogne, possui uma parte da produção orgânica, mas conta que foi justamente a parte que recebe pesticidas que acabou mais afetada. Ela acha que deveria haver um meio termo entre os dois tipos de produção:

"De um ponto de vista filosófico, quero muito produzir orgânico, mas eu não quero ser certificada como tal porque não quero ser prisioneira deste selo da forma como ele é definido hoje na França. Eu acho que a certificação orgânica deveria ser mais aberta, e isso é o que dizem muitos dos meus colegas viticultores que produzem orgânico", protesta.

O setor está cada vez mais regulamentado na Europa. Desde ontem, um novo selo de certificação é concedido pela Comissão Europeia aos viticultores que obedecem a uma série de produção de vinhos orgânicos, como menos agrotóxicos e conservantes. O presidente da Federação Nacional dos Vinhos Orgânicos lembra que não há piedade com quem tentar escapar ao cerco.

"Todos os anos, há fiscalização pelos órgãos de certificação, com análises das folhas, do solo, do suco da uva, e eles vêm de surpresa. Se o vinicultor certificado orgânico for pego usando produtos não-autorizados, ele perde a sua certificação e passa para um processo de reconversão que dura três anos", explica.

Fonte: RFI em 02 de Agosto de 2012


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