Agricultores familiares brasileiros fecham negócios com grandes grupos varejistas da Europa



A Biofach, a maior feira de orgânicos do mundo, é uma grande oportunidade de comercialização. Durante o evento, que aconteceu entre os dias 15 e 18 de fevereiro, muitos negócios foram fechados. Uma das cooperativas selecionadas por meio de chamada pública da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) para participar da edição de 2017 foi a Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre (Cooperacre). A seleção dos empreendimentos brasileiros contemplou agroindústrias que preenchiam os critérios de participação no evento, como ter certificados de origem orgânica reconhecidos na Europa.

A representante da Cooperacre no evento, Melisse Santos, destacou as oportunidades de relacionamento proporcionadas pela feira. “Durante as oficinas preparatórias da Biofach, recebemos orientação dos técnicos da Sead para trabalharmos também o pré-feira”, conta. Os produtos da Cooperacre, entre eles, a castanha-do-Brasil, em breve poderão ser encontrados não só na Alemanha, país sede da Biofach, mas também em outros países da Europa.

O evento também abriu portas para a cachaçaria gaúcha Weber Haus, que agora negocia com a rede Metro, a maior rede varejista da Alemanha e quarta maior do mundo. Denise Hörlle representante da Weber Hauss comemora os bons resultados do evento. A agricultora, que fala alemão, diz que esse foi um dos diferenciais para o sucesso da cooperativa no contato com o público. “É um idioma que já aprendemos, por causa da região que vivemos, e o público quer saber de onde viemos e, como falamos o idioma, isso ajuda muito na negociação”, destaca.

O produto mais exportado pela Weber Haus é a cachaça orgânica branca, cujo preço fica em torno de 25 euros para o consumidor final. Nesta edição da Biofach, no entanto, o que fez mais sucesso foi a cachaça envelhecida em barris de carvalho. “É muito importante saber que mais de um produto tem grande aceitação. E desta vez o mais degustado foi a cachaça envelhecida”, conta Denise. O gosto pela versão mais elaborada da cachaça também rende mais para a cooperativa, pois o custo é maior. E chega às gondolas dos mercados alemães pelo valor aproximado de 35 euros.

Segundo Denise a cachaça brasileira tem se tornado conhecida mundialmente e, durante a feira, ela encontrou clientes que reconheceram o produto: “Um dos momentos mais gratificantes foi quando um cliente alemão viu nossa garrafa e disse que tinha Weber Haus em sua casa”, contou.

De acordo com a consultora da Sead, Monica Batista, que acompanhou os agricultores na feira internacional, um dos motivos do crescimento do volume de prospecção da Biofach 2017 foi o trabalho de capacitação dos representantes do Brasil no estande da agricultura familiar. “O balanço foi muito positivo, houve crescimento no número de negociações, novos contatos e muita aprendizagem para todos que participaram”, comemora.

Sobre a Biofach

A feira é uma referência no setor e serve como entrada no mercado europeu, que é um grande consumidor de orgânicos. Em quatro dias de evento, a feira reuniu quase 3 mil expositores de 136 países com a visita de mais de 50 mil pessoas. Em 2016, as sete cooperativas participantes contabilizaram cerca de R$ 2 milhões (US$ 555 mil) em negócios fechados na própria feira e R$ 4 milhões, para futuras vendas. Um total de cerca de R$ 6 milhões em negócios realizados e pré-negociados no evento. Já neste ano, os contatos e negócios fechados, juntos, somam mais de R$ 10,5 milhões.

Fonte:Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário em 24/02/2017


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