Produção de orgânicos cresce 800% em 5 anos

 

Na safra 2001/2002, o setor movimentou cerca de R$ 50 milhões no Paraná


Eles são produzidos sem a utilização de produtos químicos, rendem boas cifras ao agricultor e ainda não prejudicam o meio ambiente. Com todos estes atributos, os produtos orgânicos começam a ocupar cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados, mesmo com o preço mais salgado do que o tradicional. Dados da área de Agricultura Orgânica da Emater dão conta de que nas últimas cinco safras, a produção cresceu cerca de 800% no estado. Na safra 2001/2002, foram colhidas 46 mil toneladas, contra apenas 4.365 de 1996/ 1997. No ano passado, a produção de orgânicos gerou R$ 50 milhões.

Segundo a publicação "Agricultura Orgânica - Quando o Passado é o Futuro", no Brasil, o mercado de produtos orgânicos movimenta por ano cerca de US$ 260 milhões. O Paraná é um dos estados com maior número de agricultores orgânicos, de acordo com informações do Departamento de Economia da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Deral). São 4 mil produtores que ocupam uma área de 14 mil hectares. "A agricultura orgânica é tipicamente familiar, sua característica é a manutenção do homem no campo. A área média de cada produtor é de 3,3 hectares. Esse tipo de cultura é também uma forma de criar empregos, já que a produção comum emprega um agricultor por hectare e na orgânica, são dois para cada hectare", afirma Iniberto Hamerschimtt, coordenador da Área de Agricultura Orgânica da Emater.

A soja, o açúcar mascavo e as olerícolas (como tomate e pepino) são os alimentos produzidos em maior escala. A soja e o açúcar são destinados à exportação e as olerícolas abastecem o mercado interno.

Gôndolas

Para atender esta demanda, os supermercados estão se adaptando. A rede de supermercados Condor começou a comercializar produtos orgânicos na maioria das lojas da rede a partir da segunda quinzena de dezembro. Antes, o produto
era vendido somente nas lojas da categoria hipermercados.


Segundo o gerente de Compras de Hortifrutigranjeiros da rede Condor, Hugo Tod, o cliente está procurando os produtos orgânicos por dois motivos: busca de maior qualidade de vida e praticidade, já que alguns produtos já vêm lavados e picados. Tod diz que nem mesmo o preço um pouco mais salgado assusta este consumidor. "Quem busca qualidade de vida não se preocupa muito
com custo", avalia.

O Condor trabalha hoje com dois grandes fornecedores, o Rio de Una e o Fruto da Terra, empresas da região metropolitana de Curitiba. No hipermercado localizado na região do Centro Cívico, a venda dos orgânicos já representa cerca de 5% da seção de hortifrutigranjeiros.


No caso do Condor, o preço dos produtos orgânicos em alguns casos chega a ser 70% superior ao dos cultivados de forma convencional, como no caso do tomate. Em outros casos, a diferença é bem menor. Em hortaliças como a alface, a diferença de preço fica em torno de R$ 0,30. Existem até casos de legumes orgânicos mais baratos do que outros convencionais comercializados e embalados por outras marcas. O grupo Pão de Açúcar (que representa as marcas Pão de Açúcar e Extra) trabalha com produtos orgânicos há cerca de seis anos. De uns dois anos para cá, a rede constatou que eles se tornaram mais conhecidos. A assessoria de imprensa do grupo diz que o crescimento deste segmento quase dobrou no primeiro ano. Hoje, o aumento de consumo é de cerca de 30% ao ano.

No Angeloni, rede recém-instalada no Paraná, os orgânicos já ocupam 20% do balcão refrigerado dos hortifrutigranjeiros. Segundo o supervisor do setor, Jeferson Dagostin, os orgânicos sempre foram bem aceitos na rede. Um dos maiores investimentos neste segmento, de acordo com Dagostin, são as frutas orgânicas especialmente as cítricas e o morango.

fonte:- Gazeta do Povo - 15/01/03


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