Sebrae e parceiros implantam unidades no Rio Grande do Norte


Sebrae

NATAL - Já bem o sol lança seus primeiros raios no horizonte da comunidade Caracaxá, em Macaíba (região metropolitana de Natal), e dona Marluce Trajano, de 52 anos, já está pé. As mãos ágeis da agricultora vão ao encontro solo como se o fizessem por ato involuntário e não por necessidade. Não importa como está o clima. Faça sol ou chuva, a rotina é a mesma.

Ela limpa daqui, cultiva de lá, rega acolá e, em tempo, a mulher colhe os frutos de um trabalho que é diário: hortaliças produzidas sem nenhum defensivo químico. Couve, rúcula, alface, quiabo, berinjela, pepino e algumas frutas da época, como o caju e o mamão, vão à mesa da família e o excedente é vendido na Feira Agroecológica, montada no centro de Macaíba, às sextas-feiras. "Foi ótimo porque, além de não gastar comprando essas verduras, temos dinheiro toda semana. Clientes vêm de Natal só para comprar e esse contato é muito bacana", disse.

Dona Marluce Trajano é uma das pessoas que atuam com a agricultura familiar e foram beneficiadas pelo programa Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), resultado de uma parceria entre o Sebrae, a Fundação Banco do Brasil e o Ministério da Integração Nacional.

O projeto capacita empreendedores para atuar no gerenciamento administrativo de suas propriedades, incentiva a produção sem uso de agrotóxicos e disponibiliza assistência técnica e consultoria. Além de possibilitar autossuficiência de alimentos, o programa ainda proporciona a comercialização dos gêneros cultivados, garantindo uma renda extra para as famílias do meio rural, através da participação em feiras agroecológicas nos municípios contemplados ou intermediando a venda de produtos para programas do governo estadual.

O PAIS vai encerrar o ano com 361 unidades implantadas no Rio Grande do Norte e, a partir do próximo ano, irá cadastrar novos produtores rurais para integrar a rede de benefícios. Atualmente, as unidades estão implantadas em municípios das regiões de Mossoró, Mato Grande, Assu e Metropolitana de Natal. Para integrar o programa, o produtor deve se incluir em uma das categorias: agricultores de baixa renda, assentados em projetos de reforma agrária, produtores de áreas remanescentes de quilombos e participantes de programas sociais do governo federal.

Alternativas

Quem vive no assentamento Caracaxá agora colhe os frutos do programa. A localidade foi uma das primeiras a ter o PAIS estruturado, contemplando 60 famílias que antes tinham na cajucultura a principal fonte de recursos. Com o declínio da produção, os agricultores ficaram sem opção de renda. As sementes do programa surgiram como alternativa para plantar um futuro mais digno para as mulheres do campo. Isso porque os participantes do projeto na localidade são em sua grande maioria mulheres.

A inclusão do assentamento no programa deve-se à visão empreendedora de Fátima Martins, que é uma espécie de líder das moradoras do assentamento. Em 2006, ela tomou conhecimento do programa e solicitou ajuda do Sebrae Rio Grande do Norte para implantação na comunidade.

Os consultores encontraram na área as condições favoráveis e hoje dezenas de famílias obtêm renda com a venda de couve, hortelã, beterraba, rabanete, tomate, pimentão e outros legumes, cultivados artesanalmente sem aditivos químicos.

Até o formato da roça ajuda a quebrar paradigmas. É circular. No centro, há espaço para criação de galinhas. A estrutura é cercada pelo plantio de culturas variadas, que diversificam a produção. Parte dela vai parar na merenda escolar da rede municipal devido ao programa Compra Direta. O mesmo acontece outras unidades instaladas em diversos municípios potiguares.

Operacionalização

Na parceria de estruturação do programa, o Banco do Brasil fornece kits com os recursos técnicos para que seja montada a instalação na propriedade. O Sebrae realiza aulas de capacitação teóricas e práticas esclarecendo quais as vantagens de utilizar a produção agroecológica de como aplicá-la. O convite ao modelo de produção busca estimular a agricultura orgânica por meio do processo produtivo sem o uso de agrotóxicos, reduzir a dependência de insumos vindos de fora da propriedade e apoiar o correto manejo dos recursos naturais. Além de incentivar a diversificação da produção e evitar o desperdício de alimento, água, energia e tempo do produtor.

O termo tecnologia social consiste em processos que permitam a transformação social através de um baixo custo e da fácil aplicação. Por meio de instrumentos e técnicas de baixo custo, a comunidade pode recorrer a esses meios para melhorar suas condições de vida. No caso da Pais, o Sebrae-RN realiza ações para divulgar seus meandros a produtores rurais de todo o estado. Um stand na Feira do Boi, realizada no último mês de outubro, fazia a divulgação da tecnologia para os produtores já cadastrados e em qualquer outro que se interessasse em aplicar o método em suas propriedades.

"Instalamos uma unidade de tamanho reduzido e os visitantes demonstraram muito interesse. É uma tecnologia social, ou seja, qualquer pessoa pode montar!", disse a gestora estadual do projeto, Honorina Medeiros. A iniciativa do Sebrae-RN prevê o acompanhamento da performance dos produtores e propõe o incentivo do associativismo entre as unidades familiares do campo.

Serviço:

Sebrae no Rio Grande do Norte – (84) 3616-7900

Central de Relacionamento Sebrae – 0800 570 0800

 

Fonte:Sebrae em 20/12/2010


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