Como tornar sua propriedade orgânica? O modelo é a própria natureza

O técnico agrícola e acadêmico de Biologia Olacio Mamoru Komori, 36, observa que para atingir o objetivo, não é somente o não uso de agrotóxicos e produtos químicos; é necessário muito mais

A colheita do café orgânico deve iniciar em abril, no processo seletivo, para po

Cláudio Xavier

A demanda pelos produtos orgânicos, atualmente, no Brasil cresce a passos largos. Como observador de propriedades na região, posso afirmar que, se de um lado temos uma produção de alimentos básicos obtidos por métodos que utilizam insumos químicos e a engenharia genética, por outro, também assistimos o crescimento do produto orgânico. Este aumento está relacionada ao interesse do consumidor que, em parte, deixou de considerar a beleza dos produtos agrícolas como critério principal na escolha.

Na edição de hoje, o Diário do Campo, com o objetivo de saber mais sobre a produção orgânica, descobriu algo de extraordinária importância e, com certeza, desconhecido de grande parte da sociedade. A propriedade orgânica, num todo, no verdadeiro sentido da palavra. O endereço? Sítio Santa Cecília, em Glória de Dourados, de propriedade da família Komori. Fruto da concessão de terras da CAND (Colônia Agrícola nacional de Dourados), o 'lote' chegou às mãos do casal Minou e Hatsue Komori.

Atualmente, o sítio é uma propriedade orgânica, agroecológica, que trabalha com a integração de atividades, diversificação de culturas e o mínimo de perdas energéticas. Está comprometido com a auto-sustentação do meio-ambiente e a qualidade dos alimentos que produz. O administrador da propriedade, o técnico agrícola e acadêmico de Biologia, Olacio Mamoru Komori, 36, ressalta que a propriedade não utiliza agrotóxicos. "Pelo contrário, o básico é manter a vida em todos os níveis", afirma ele, enfatizando que, "as nascentes, córregos e a vegetação espontânea são protegidos, enfim, a vida na terra e no ar é preservada".

Komori conta que, em 1997, a agricultura orgânica despertou interesse em um grupo de pequenos produtores familiares, destacando o cultivo de café, o que daria origem ao Grupo de Apoio à Cafeicultura, mais tarde, em 2000, à Apoms (Associação de Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul). "A partir daí, buscamos conhecimentos básicos, através de cursos e estudos para o certificado do café orgânico", recorda o produtor. Ele confirma que, a preocupação do grupo não estava restrita apenas ao produto, mas sim a toda a propriedade. O grupo iniciou com 26 propriedades e, atualmente, conta com 12 propriedades certificadas, perfazendo um total em torno de 70 hectares , não somente com café, mas também com outras culturas.

Para se obter uma propriedade orgânica, segundo o técnico agrícola, não basta apenas deixar de utilizar agrotóxicos e produtos químicos. "É muito mais do que isto, chega a ser uma filosofia de vida", argumenta Komori, comparando que, "parece bastante poético, mas, poesia, prazer e saúde na vida da gente não fazem mal algum".

A ORGÂNICA

Olacio Komori é taxativo ao afirmar que uma propriedade, verdadeiramente orgânica, traz excelentes vantagens ao produtor, à família e, principalmente, para o grupo humano que trabalha no local. São respeitados vários itens, como por exemplo o social, quando todo o trabalhador deve ser registrado, receber moradia e atendimento adequado ao bem-estar próprio e da família. Na área cultural, os costumes da região devem ser preservados, gerando total solidariedade entre vizinhos. "Um ajuda ao outro, buscando soluções coletivas aos problemas", explica Kamori.

Na propriedade orgânica, a produção é no sistema diversificada, encarando o solo como um ser vivo, meio eminentemente biológico. A natureza indica ao homem o que fazer, conforme suas necessidades. A adubação é feita com matéria orgânica e as pragas recebem controle alternativo, diversificação e consorciação. Em síntese, Olacio observa que para entrar no sistema é preciso pouco capital e energia, porém muito trabalho. "Como resultado, alimentos de alto valor biológico, com mais nutrientes e menos veneno, como também equilíbrio ecológico e sustentabilidade do sistema", reafirma ele, que finaliza dizendo que "o produtor orgânico convive em paz, sem o corre-corre do consumismo e sem matar a natureza, apenas deixando-a se restabelecer e produzir seu próprio adubo

fonte: Diario MS em 04-02-2004

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