Tomate orgânico vira opção para quem tem pouca terra


Pequena propriedade rural abandona a silvicultura para migrar para o tomate orgânico

Uma chácara com apenas dois hectares tem proporcionado resultados positivos para um engenheiro florestal no bairro Moinho, em Curiúva. Acostumado com o manejo da silvicultura, Heros Danilo Mainardes Fonseca, 32, deixou o trato com florestas um pouco de lado para investir no plantio de produtos orgânicos, em especial o tomate dos tipos italiano e cereja. Com pouco tempo de experiência, ele descobriu se tratar de um negócio lucrativo e que oferece mais qualidade de vida às pessoas.
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Os trabalhos na propriedade começaram após o engenheiro florestal perceber uma queda expressiva no preço para comercialização da madeira, em especial do eucalipto. A chácara com apenas dois hectares não seria viável para esse tipo de cultura. No início, com duas estufas de tomate no manejo orgânico, porém, sem certificação, Fonseca seguiu determinado na proposta de investir na produção de orgânicos, uma vez que a fruta convencional, segundo ele, também se tornaria inviável em razão da política de preço praticada no mercado.

Por se tratar de uma área pequena e próxima à cidade, a chácara é ideal para o manejo de hortaliças. Além de comercializar o produto em grandes centros de distribuição, Fonseca também abastece pequenos comércios do município e ainda vende diretamente aos consumidores. "O pessoal gosta de vir aqui porque eles mesmos colhem e embalam o produto. Alguns abastecem suas carriolas para revender na cidade. Tudo isso contribui para os bons resultados obtidos com a propriedade", sublinha o agricultor.

Contudo, o negócio lucrativo e saudável exige muito trabalho. Conforme Fonseca, diferentemente de florestas e da pecuária de corte, por exemplo, que exigem acompanhamento semanal dos resultados, a produção de orgânico demanda "mão de obra diária". "A produção exige atenção o dia todo, de segunda-feira a segunda-feira. Entretanto, com poucas pessoas dedicadas no manejo é possível atender a demanda. Trabalhamos em quatro pessoas: eu, minha mulher e dois funcionários", explica.
Cada estufa tem 210 metros quadrados e custou R$ 5 mil ao agricultor. O investimento para o plantio é de R$ 2 mil, e pode render até cinco quilos da fruta por planta, o que representa algo em torno de duas toneladas e meia de produção por unidade e um faturamento bruto R$ 12 mil por safra. São cinco a seis safras por ano.

A chácara de Heros Fonseca possui dez estufas, que produzem 40 toneladas de tomate tipo italiano por ano a um preço médio de venda de R$ 5 o quilo, enquanto o tomate cereja embalado em caixas de 400 gramas sai a R$ 7 a unidade. O faturamento bruto é de R$ 200 mil, mas 40% representa mão de obra. O principal insumo para a produção do orgânico é o esterco de gado, cerca de 20 kg por planta, além da adubação e outros produtos recomendados para a produção da agricultura orgânica.

Fonseca explica que, na produção de orgânicos, todas as estufas são numeradas, critério dos órgãos fiscalizadores responsáveis para o credenciamento da propriedade para identificar lotes distribuídos no mercado que venham a apresentar problemas. "Quando colhemos e preparamos a produção para a entrega aos compradores, na nota fiscal há um campo específico para informarmos a estufa em que aquele lote foi colhido. Toda a produção é rastreada, pois caso ocorra algum problema com o produto é possível identificar a unidade de produção para suspender a distribuição até que tudo seja analisado e resolvido", explica o agricultor.

REFERÊNCIA
A chácara do engenheiro florestal Heros Fonseca é referência na produção de orgânicos para difundir a técnica a outros agricultores da região, conforme explica o técnico em agropecuária Valdinei Garcia Fernandes. "Atualmente dentro das atividades desenvolvidas nas propriedades rurais, eu costumo dizer que o cultivo orgânico é o único que tem o começo, meio e fim bem alinhados. Todo plantio realizado tem a ponta comercial à frente definida com valor estabelecido. A caixa de tomate fechará o ano em torno de R$ 100 a R$ 110, desde que seja certificado e com um padrão de qualidade, e a propriedade do Heros oferece todos esses preceitos, por isso se tornou referência a outros produtores", pondera Fernandes.

fonte:Folha de Londrina em 01-09-2018 por Luiz Guilherme Bannwart

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