Timor-Leste vê nascer primeiros 20 kg de chocolate negro «de alta qualidade»



Agricultores timorenses apoiados por uma escola agrícola, produziram os primeiros 20 quilogramas de chocolate negro do país, criando, com produtos locais como chili e gengibre, as primeiras barras de chocolate de Timor-Leste.

O projeto, desenvolvido pelo Ministério da Agrícola e Pesca com apoio da União Europeia e do Governo alemão, pretendia reintroduzir cacau como uma fonte alternativa de receitas para agricultores timorenses em pequena escala, especialmente no sul da ilha.

O projeto visitou 750 famílias agrícolas e pretendia reabilitar ou plantar novas árvores de cacau em 150 hectares, integrando-as em sistemas agrícolas já existentes, nomeadamente aproveitando cerca de 36 hectares de plantações existentes nas zonas de Viqueque e Manatuto (a leste).

Professores da Escola Agrícola de Natarbora colheram e fermentaram os primeiros frutos, tendo depois a qualidade sido testada pelo produtor de chocolate orgânico "Pod" em Bali, na Indonésia, para verificar a potencialidade da produção timorense.

Isso permitiu produzir 20 quilos de chocolate negro, com um conteúdo de cacau de 64%, tendo parte desse chocolate sido misturado com chili e gengibre, também produzido localmente e preparado pela empresa Timorganic.

O chocolate orgânico foi considerado pela Pod como de «excelente qualidade» o que aumenta significativamente o potencial de venda do produto timorense.

O objetivo é agora analisar a potencialidade da produção nacional e formas de a expandir para venda no mercado nacional ou internacional.

Quer durante o período colonial português, quer durante a ocupação indonésia, realizaram-se pequenas experiências, em pequena escala, para a plantação de cacau, sem que tenha havido grande esforço de formação ou trabalho de manutenção das plantas.

Hélio Esteve Felgas, no seu livro "Timor Português", (publicado em 1956), já referia que o cacau «é cultivado em Timor, em especial na região de Hatolia (a sudoeste de Díli) e a sua qualidade é excelente». Os cuidados especiais que a planta exigia, tornavam a sua cultura difícil para os agricultores timorenses mas, ainda assim, Felgas regista exportações de 12 toneladas, em 1925, que caíram nos anos seguintes, atingindo depois, já em 1953, as 15 toneladas.

Como ocorria com outros produtos agrícolas (nomeadamente o café), a produção e comércio do cacau era controlada pela Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho (SAPT), fundada pelo governador Celestino da Silva. Fonte: Lusa em 19 Junho 2015


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