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Produção de banana sob manejo orgânico em solo de Tabuleiro do Estado da Bahia

O manejo do solo é fundamental para a definição de um sistema orgânico de cultivo para bananeira. Melhoria nos atributos químicos do solo, após 24 meses de cultivo, notadamente nos teores de P, K, soma de bases e saturação por bases, foi verificada nos tratamentos sob manejo orgânico com composto e leguminosa, em solo de tabuleiro do Estado da Bahia.

A aplicação de composto orgânico associado com plantio de feijão-de-porco proporcionou melhor desenvolvimento vegetativo das bananeiras, ou seja, maior vigor da planta (altura, diâmetro do pseudocaule e número de folhas), em solo de tabuleiro do Estado da Bahia. Em Neossolo Fúlvico do Norte de Minas Gerais, apesar de não atingir diferença estatística entre os tratamentos, teores mais elevados de P e K foram constatados nos tratamentos com 70% de serragem de pinus + 20% de esterco bovino + 10% de organo-mineral bioativo, em cultivo com bananeira ´Prata Anã´.

No primeiro ciclo de produção das cultivares de banana Prata Anã e Caipira, sob manejo orgânico do solo constatou-se diferença significativa para o tempo de colheita, tanto para ´Prata Anã´ quanto para ´Caipira´, quando se compararam os tratamentos orgânicos com o químico, cujos valores foram de 564 dias para a ´Prata Anã´ e 571 para ´Caipira´ no manejo orgânico. Os ciclos foram superiores aos usuais das cultivares, que são de 400 dias para a ´Prata Anã´ e 464 dias para a ´Caipira´. O ciclo da cv. Caipira no tratamento 2 (calcário dolomítico + gesso + composto orgânico + fosfato natural + feijão-de-porco + cinzas de fogueiras) foi superior ao dos demais e 230 dias acima do ciclo usual. Para o produtor, quanto menor o ciclo, ou seja, o tempo para a colheita do cacho, mais interessante, pois haverá retorno mais rápido do investimento.

Quanto ao número de frutos, para `Prata Anã´ os tratamentos T2 e T4 (farinha de rocha MB4 + composto orgânico + fosfato natural + feijão-de-porco + cinzas de fogueiras) proporcionaram maior número de frutos, em média 86 frutos/cacho. Para a ´Caipira´, o tratamento químico (T1 = calcário dolomítico + superfosfato simples + uréia + cloreto de potássio) foi significativamente superior aos demais.

O peso médio do fruto foi maior no tratamento químico (T1) e no T3 (calcário dolomítico + fosfato natural + esterco de curral + [grama + microrganismos eficazes (EM) + melaço] + feijão-de-porco + cinzas), para a ´Prata Anã´, média de 70,8 g, sendo considerado um fruto pequeno. A ´Caipira´ apresentou frutos mais leves do que a ´Prata Anã´, uma característica própria da cultivar (normalmente são 21% mais leves do que os da ´Prata Anã´), e os do tratamento 2 foram inferiores, diferindo dos demais.

Para ´Prata Anã´, frutos de segunda qualidade devem apresentar comprimento entre 12 e 14 cm e diâmetro entre 28 e 32 mm. O comprimento do fruto foi significativamente superior no tratamento químico (T1). Contudo, apenas para o diâmetro os frutos se enquadraram na classe de frutos de segunda qualidade. Normalmente, no primeiro ciclo, as bananeiras não expressam todo o seu potencial genético; além disso, houve necessidade de uma melhoria da fertilidade do solo para que as plantas se desenvolvessem satisfatoriamente, como também, o plantio não foi irrigado. Na ´Caipira´, os tratamentos T3 e T4 apresentaram comprimento de frutos superiores aos dos demais tratamentos orgânicos e igual à testemunha (T1). Quanto ao diâmetro, os frutos do T2 apresentaram-se mais finos, com menor diâmetro, tanto na ´Prata Anã´ (29,8 mm) quanto na ´Caipira´ (31,3 mm). Hoje, com a demanda por frutos pequenos (baby banana), esse atributo não é desvantajoso, desde que o sabor seja agradável.

Mesmo apresentando produtividades baixas, aquém das normalmente obtidas (15 t/ha para ´Prata Anã e 20 t/ha para ´Caipira´ - sem irrigação), o tratamento químico (T1) mostrou valores significativamente superiores, sendo 11,7 t/ha para a ´Prata Anã´ e 12,4 t/ha para a ´Caipira´. Dentre os manejos orgânicos, para a ´Prata Anã´ nos tratamentos T2 e T4 e para a ´Caipira´, no T4, as plantas apresentaram melhor desempenho, concordando com o desenvolvimento vegetativo das plantas. Na bananeira, em diferentes combinações de resíduos orgânicos, não houve efeito no desenvolvimento da cultura. Todavia, há que considerar que este é um solo em transição para o sistema orgânico e, conforme ressaltado, o primeiro ciclo de produção da bananeira sempre apresenta desempenho inferior aos demais.

Assim, os dados do primeiro ciclo indicaram: a) melhor desempenho das plantas no manejo químico do solo; b) dentre os tratamentos orgânicos, o manejo utilizando farinha de rocha MB4 e composto orgânico associado com plantio de feijão-de-porco e cinzas de fogueira (T4) foi mais favorável para a ´Caipira´; c) para ´Prata Anã, os manejos tanto com calcário (T2) quanto com MB4 (T4) em toda a área e composto orgânico associado com feijão-de-porco nas entrelinhas e cinzas de fogueira em cobertura foram os que proporcionaram melhor produção à bananeira.

LITERATURA CONSULTADA

BORGES, A.L.; SOUZA, L. da S. & ACCIOLY, A.M. de A. Atributos químicos do solo em manejos convencional e orgânico de banana. In: FERTBIO, 2006, Bonito. Anais. Bonito: SBCS/SBM/Embrapa Agropecuária Oeste, 2006. 4p. CD-Rom.

SANTOS, S.R. dos; FARIA, F.H. de S.; FIGUEIREDO, L.H.A.; PORTO, E.M.V. & CARVALHO, A.P. de. Uso de resíduos orgânicos no cultivo da bananeira ´Prata Anã´ In: FERTBIO, 2006, Bonito. Anais. Bonito: SBCS/SBM/Embrapa Agropecuária Oeste, 2006. 3p. CD-Rom.

BORGES, A.L.; CALDAS, R.C.; SOUZA, L. da S.; SANTOS, A.M. dos & NASCIMENTO, C.A.C. do. Cultivares de bananeiras sob manejo orgânico do solo. 1. Crescimento vegetativo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 19., 2006. Cabo Frio. Anais. Cabo Frio: SBF/UENF/UFRuralRJ, 2006. p.520.

Fonte: AGrosoft em 22-11-2007 - <http://www.agrosoft.org.br/?q=node/27192>

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