Soyadubos: Adubos orgânicos para todo o país

Foi criada há dois anos e meio no Huambo, comercializa adubo orgânico, e já é uma referência na área, vendendo para todo o território nacional. Utiliza maquinaria de ponta e pode produzir adubos específicos para determinadas necessidades. A meta para o próximo ano passa por chegar aos 250 mil a 300 mil agricultores.

A Soyadubos está vocacionada para a produção de adubo orgânico, que coloca em terras por todo o país, e é hoje encarada uma empresa de sucesso na área. É gerida por Sousa Jerónimo que, com vasta experiência na área alimentar, fez rapidamente crescer uma empresa que hoje emprega 40 pessoas, numa fábrica que só de área de produção tem mais de 1900 metros quadrados.

Se há uns anos o adubo químico imperava nas produções por todo o mundo, hoje em dia já se percebeu as vantagens do material orgânico, tanto para a produção, como para as próprias terras.

Na prática, o adubo orgânico é uma matéria de origem vegetal ou animal, como palhas, esterco, cascas e restos de vegetais de compostos ou ainda em estágio de decomposição. Como vantagens práticas no aumento de nutrientes no solo, na diminuição de acidez e de alumínio tóxico, acaba por melhorar o solo e consequentemente a produção. É um produto que pode ser aplicado em todo o tipo de culturas, embora em quantidades diferentes, consoante o tipo de planta. E há uma diferença benéfica para os próprios camponeses, já que vão partir para uma cultura de sustentabilidade, pois «não só não destroem os solos, como vão ter um aumento de produção», afirma Sousa Jerónimo.

Embora ainda se utilize o adubo químico em muitas explorações, Sousa Jerónimo aponta os malefícios desse tipo de produto. «Até há cerca de 50 anos atrás, a agricultura era orgânica. Quando surgiram as grandes indústrias em escala e houve maior necessidade de se produzir alimentos para a população global, então surgiu a necessidade da rentabilização. Mas no início não se dava conta deste prejuízo e dos danos que a adubação química causava ao homem e ao próprio solo. Na verdade, a terra tinha milhões de anos de matéria-prima equilibrada; equilíbrio que se foi perdendo». Na sua opinião, «hoje já se tem a noção da importância de uma boa alimentação, e que uma boa alimentação não pode estar baseada em produtos que cresceram com base em químicos».

Um custo mais baixo

Um dos mitos em relação aos adubos orgânicos está relacionado com os preços. Hoje em dia, este tipo de adubo pode ser mais acessível financeiramente do que o químico. Conta-nos Sousa Jerónimo: «Já foi de facto um produto caro no passado, quando não havia tecnologias de produção de fertilizante orgânico, mas nos últimos 15 anos as tecnologias entretanto desenvolvidas permitem a produção de fertilizantes orgânicos em grande escala, e hoje sai mais barato em relação ao adubo químico. Só para lhe dar uma comparação, para o nosso adubo você precisa de 250 kg num hectare, para o adubo químico você precisa de 800 kg ou 400 kg. Veja a diferença…».

Uma das mais-valias da empresa passa pela especialização, que só é possível devido ao tipo de equipamento que utiliza e à equipa especializada que a integra. «Nós podemos mudar um pouco as nossas especificidades, de acordo com a necessidade dos solos dos nossos clientes. Podemos fazer análises do solo e identificarmos qual é adubação adequada para cada caso», explica Sousa Jerónimo. O passo seguinte é a adequação das substâncias para o solo em causa.

As perspetivas de crescimento da Soyadubos são grandes. A estratégia passa por chegar a mais agricultores, trabalhando de forma ativa o crédito. «Temos um acordo que vai ser celebrado no dia 10 de Novembro com a Confederação das Associações de Camponeses e Cooperativas Agro-Pecuárias de Angola (UNACA) para a o fornecimento de fertilizante a crédito aos camponeses. Nós queremos neste primeiro ano atingir cerca de 100 mil agricultores e no próximo chegar aos 250 ou 300 mil», afirma Sousa Jerónimo.

A Soyadubos tem, hoje em dia, uma capacidade de produção de 160 toneladas por dia, o que significa 800 hectares por dia e 17.600 hectares por mês de adubação de terra. Mas para breve está a abertura de uma nova fábrica, numa província ainda por identificar, mas que ficará situada no norte do país.
Em relação ao futuro, a empresa encara os próximos anos com confiança, conforme realça o responsável: «Nós apostámos na indústria decidimos construir uma indústria porque tínhamos a garantia que o futuro de Angola passaria pela agricultura. E a agricultura precisa do quê? A agricultura precisa de três coisas: maquinaria para o solo, sementes e fertilizante. Nós queremos servir nesse segmento. E com qualidade»

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Fonte: Africal 21Online em 09/12/2015 para | Editoria Suplementos |

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