Alimentos Orgânicos em Sorocaba

 

Produtores querem impulsionar o mercado
Carolina Santana

Alimentos produzidos totalmente livres de agrotóxicos e substâncias químicas nocivas à natureza e à saúde do homem. Este é o principal conceito dos alimentos orgânicos e faz parte do projeto desenvolvido em Sorocaba pelo engenheiro agrônomo Marcos Ary, que tem apoio do Sindicato Rural de Sorocaba. Em seu trabalho, que é desenvolvido há mais de dois meses, o engenheiro já conseguiu aglutinar pelo menos 25 pequenos produtores rurais que cultivam alimentos orgânicos. O objetivo, segundo ele, é organizar os agricultores para que a produção ganhe força no mercado e o primeiro passo é garantir que os produtos contem com selos de qualidade. Os produtores participantes do projeto fazem parte da Cooperativa de Produtores de Alimentos Diferenciados (Copad) e na lista há ovos, grãos, hortaliças e frutas.

A idéia do projeto surgiu no Rio de Janeiro, cidade onde o engenheiro teve contato com a cultura orgânica. Em Sorocaba, Ary contou também com o trabalho inicial de consultoria a garantir aos produtos o selo de certificação. Isto é necessário para que eles possam ser comercializados, explicou. Aos produtores foram apresentadas as três certificadoras que podem conceder o selo, entre elas a Associação de Certificação Instituto Biodinâmico (IBD), a Mokiti Okada (CMO) e a IMO-Control do Brasil.

Segundo Ary, na cidade há poucos pontos de venda de produtos orgânicos e, até por isto, os preços são mais altos àqueles alimentos cultivados de modo convencional. O custo de produção dos alimentos orgânicos é 76% mais baixos. Para o consumidor, o preço é mais alto, mas isto acontece por conta da quantidade de produção dos orgânicos que é bem menor, esclareceu o engenheiro. Ainda de acordo com ele, apesar de ter preços mais elevados há a possibilidade de tornar esses produtos mais acessíveis, sendo que estimular a produção local é uma das formas.

Na cidade existe público pare esses alimentos. A cidade conta com uma população com um poder aquisitivo relativamente bom e os que se organizarem não terão dificuldades em manter-se no mercado, afirmou o presidente do Sindicado Rural de Sorocaba, Luiz Antônio Marcello. Essa organização a que menciona, possibilitaria, na sua opinião, também implicar na redução de custos de produção.

Feira orgânica

Enquanto os produtores locais não recebem o selo das certificadoras, a realização na cidade de uma feira orgânica é estudada, a contar com a participação de agricultores de outras localidades. Ela funcionará nos mesmos moldes das feiras livres convencionais e, provisoriamente, ocorreria num terreno particular de 300 metros quadrados no Jardim Paulistano (rua Marechal Dutra, 543). No próximo sábado haverá uma exposição dos produtos e, na oportunidade, será definida a data da abertura oficial do evento ao público. A gente também vai organizar onde cada produtor vai ficar e os produtos que serão comercializados, explicou Ary.

O agrônomo esclareceu ainda que, por questões legais, os alimentos orgânicos não podem ser comercializados juntos com os cultivados de maneira convencional. A determinação é para evitar possível contaminação, assim como interferência econômica. Infelizmente o brasileiro ainda come com os olhos e vai preferir uma fruta, uma verdura mais bonita, mais vistosa e acaba se esquecendo da qualidade e da saúde, avaliou Marcello.

No quesito qualidade, o agrônomo destacou que, apesar de serem menores em tamanho, menos coloridos e não tão chamativos, os alimentos orgânicos são mais nutritivos. Se você comprar um quilo de repolho é realmente um quilo, com menos água e menos espaço entre as folhas. Isto acontece também porque o processo produtivo é mais demorado. Enquanto uma alface leva 30 dias para ser cultivada no processo convencional, no orgânico o tempo de cultivo passa para 45 dias, por exemplo, disse.
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Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno C na edição de 22/06/2008


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