Especial Congresso Agroecologia
Somente a convivência e a cooperação são sustentáveis


Pesquisador Helmut Thielen defende a participação popular nas esferas públicas e diz que capitalismo e equilíbrio ecológico não podem ser conciliados.
Porto Alegre, RS - O educador popular alemão Helmut Thielen abriu sua palestra nesta quinta-feira (25), último dia do II Congresso Brasileiro, V Seminário Internacional e VI Seminário Estadual sobre Agroecologia, em Porto Alegre, falando sobre as bases estéticas para conviver e cooperar com a natureza. Pesquisador pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), ele entende que é necessário e difícil se chegar a esse ponto, mas não impossível. "Para isso", explica, "temos que desenvolver uma estratégia complexa, atuando nos campos local, regional e mundial".

Além de educador popular, Helmut Thielen é sociólogo, engenheiro de planejamento social e ecológico de paisagens, especialista em agroecologia tropical, além de doutor em ciências agrárias e do meio ambiente. Defensor da ecologia crítica, ele acredita na participação popular nas esferas públicas com muito engajamento. No entender de Helmut Thielen, o capitalismo e o equilíbrio ecológico são contraditórios e não podem ser conciliados, já que um é a antítese do outro. "Somente a convivência e a cooperação são sustentáveis", afirma. "E convivência é vivência e experiência estéticas, agregadas à prática ecológica".

Ele afirmou que é através da estética que o ser humano percebe os fenômenos da natureza, enaltecendo os valores ligados à alteridade, grandiosidade e beleza, as quais tornam o Brasil uma nação privilegiada. Helmut Thielen está nopaís há 10 anos. Nos quatro primeiros ministrou aulas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande. Depois transferiu-se para a Unisinos. Ele alertou para o que chama de lógica da exploração, a qual nega a diversidade dos fenômenos e das qualidades na natureza, tratando o meio ambiente como um simples objeto. Ao final de sua palestra denuncio estar sendo perseguido na Universidade em que leciona, devido a sua forma de pensar. Atualmente ele está em licença médica e teme ser demitido assim que retornar às suas atividades.

Santiago de Compostela

A última palestra do evento foi proferida pelo professor da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, Jorge García Marin. Ao abordar o tema "paisagem com biodiversidade e patrimônio histórico-social como fatores para o desenvolvimento rural: o caso do Caminho de Santiago da Compostela", ele destacou que a região, já com onze séculos de existência e considerada patrimônio histórico da Unesco, está possibilitando aos visitantes desfrutar de belíssimas paisagens ligadas às áreas ecológica, esportiva, gastronômica, fotográfica e patrimônio cultural, ao contrário de sua origem, que estava ligada à agricultura.

"Hoje", segundo ele, "os agricultores estão alugando quartos e oferecendo pratos típicos, o que, se por um lado, descaracteriza a origem do local, por outro possibilita a oportunidade de revitalização da economia". Jorge García Marin destacou, também, que o Caminho possui uma diversidade de paisagens naturais e ecossistemas muito ricos, abrangendo aspectos geológicos, de fauna, flora, além do arqueológico.

Jornalista Juarez Tosi ([email protected]), especial para EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais.

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