Trabalhadores querem selo de inspeção federal para melhorar venda de mel e polpa de frutas

 

Manaus - O projeto Reviver, da Associação de Trabalhadores Rurais do Vale do Corda, em Wanderlândia, Tocantins, já está em sua terceira fase – iniciada em julho deste ano e com previsão de terminar em dezembro de 2007. São aproximadamente R$ 400 mil de investimento do Subprograma Projetos Demonstrativos (PDA), integrante do Programa Piloto para Proteção das Florestas do Brasil (PPG7) – coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e financiado pela cooperação internacional.

"Estamos agora aumentando a assistência técnica para produção de mel, que hoje é de 5 mil litros por ano, e também de frutas, que no passado ficou em 18 toneladas. Nossa meta é conseguir o Selo de Inspeção Federal (SIF), concedido pelo Ministério da Agricultura, para vender os produtos em farmácias e supermercados", contou José Félix Soares, tesoureiro da associação, em entrevista ao quadro Meio Ambiente, veiculado às sextas-feiras no programa Ponto de Encontro, da Rádio Nacional da Amazônia.

O Projeto Reviver atua diretamente com 80 famílias de Wanderlândia e Darcinópolis, no Tocantins, com o objetivo de incentivar a apicultura, a piscicultura e os sistemas agroflorestais de produção de frutas da região (bacuri, buriti, caju, acerola, cajá, tamarindo, goiaba e cupuaçu). "Esses produtores plantavam basicamente mandioca, arroz, milho e feijão. Aqui o solo é fraco e havia muito êxodo rural. Nosso objetivo era diversificar a produção e preservar o meio ambiente", disse José Félix.

Segundo ele, a renda média dessas famílias gira em torno de um salário mínimo. De 1997 a 2000, a associação recebeu cerca de R$ 400 mil do PDA/PPG7 para dar início ao projeto. Entre 2000 e 2002, foram mais R$ 400 mil para implantação de duas agroindústrias (de mel e de polpas de frutas). Os R$ 400 mil de agora totalizam R$ 1,2 milhão de investimentos. "O mel e as frutas nós vendemos. Já a atividade da piscicultura se voltou para a segurança alimentar: os peixes criados nos tanques comunitários são consumidos pelos próprios agricultores, como uma forma de enriquecer a fonte de proteínas deles", explicou.

De acordo com o tesoureiro, o melhor resultado do Reviver, até agora, foi a conscientização de que é possível produzir sem destruir, de que é possível viver na terra com dignidade e contribuir com a construção de um mundo melhor. A grande dificuldade apontada por ele é a falta de infra-estrutura para escoar os produtos e da oferta dos serviços básicos de educação e saúde. "O PDA nos apóia, mas não substitui a política pública que deveria ser feita pelo município e pelo estado. A gente enfrenta vários problemas na questão da estrada, da educação – que ainda é precária aqui, apesar de termos conseguido com muita luta uma escola municipal".

A Associação de Trabalhadores Rurais do Vale do Corda foi criada em 1992. Ela é fruto de um movimento iniciado em 1986, quando 50 famílias ocuparam uma área particular de cerca de 1.500 alqueires. "O Incra não desapropriou a área porque o solo era ruim. Após muita resistência, conseguimos entrar em acordo com o proprietário. E criamos a Associação para lutar por políticas públicas e pela melhoria da produção", afirmou José Félix. A associação tem hoje 45 membros e faz parte da Rede Cerrado de Ongs, da Rede Grupo de Trabalho Amazônico (Rede GTA) e do Fórum Amazônia Ocidental (FAO).

Fonte: Agência Brasil em 28/10/2005 por Thaís Brianezi

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