Sem agrotóxicos - Agricultura orgânica brasileira tem a segunda maior área do mundo


Levantamento feito pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento mostra que o Brasil possui 6,5 milhões de hectares de produção orgânica

Do Ministério da Agricultura e Abastecimento

Brasília - O Brasil já tem a segunda maior área de produção de agricultura orgânica do mundo, com 6,5 milhões de hectares, atrás apenas da Austrália.  A constatação foi feita por meio de levantamento realizado entre janeiro e fevereiro deste ano pela Coordenação de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).  Até 2004, o País ocupava o 34º lugar na classificação dos maiores produtores mundiais de orgânicos.  O salto no ranking foi impulsionado pela inclusão do extrativismo sustentável no cálculo da área da agricultura orgânica brasileira.

Dos 6,5 milhões de hectares da agricultura orgânica, o País tem 5,7 milhões de hectares ocupados pelo extrativismo sustentável (castanha, açaí, pupunha, látex, frutas e outras espécies das matas tropicais, principalmente da Amazônia).  Outros países já incluíam o extrativismo e as pastagens no cálculo da área do setor.  O Brasil tem ainda cerca de 900 mil hectares plantados com outras culturas orgânicas.

Para o chefe da Divisão de Certificação e Controle do Mapa, Roberto Mattar, a ascensão no ranking internacional de orgânicos representa maior visibilidade, respeito e oportunidades para o Brasil.  Ainda segundo as estimativas da Coordenação de Agroecologia, o País tem cerca de 20 mil produtores de orgânicos - a maioria agricultores familiares.  Abacaxi, banana, café, mel, leite, carnes, soja, palmito, açúcar, frango e hortaliças são alguns dos principais produtos da agricultura orgânica brasileira.

Mercado crescente

Pesquisas têm comprovado que os alimentos orgânicos são mais seguros porque são produzidos sem o uso de agroquímicos.  Além de saudáveis, eles também passaram a ser um bom negócio nos últimos anos.  Dados da Biofach 2005 (maior feira de produtos orgânicos do mundo), realizada em Nuremberg, Alemanha, no mês passado, confirmam isso.  De acordo com a Agência de Promoções das Exportações do Brasil (Apex-Brasil), a Biofach 2005 movimentou US$ 31,4 milhões, valor duas vezes maior do que o negociado na edição de 2004.  Escolhido como tema da Biofach 2005, o Brasil levou 87 empresas produtoras de orgânicos ao evento.

“Este momento é histórico”, destacou o coordenador de Agroecologia do Mapa, Rogério Dias.  Por isso, prossegue ele, o ministério, a iniciativa privada e o terceiro setor estão desenvolvendo ações voltadas à promoção da agricultura orgânica.  “Esse trabalho é fundamental para o avanço da agricultura orgânica brasileira nos mercados interno e mundial.” Segundo Dias, a cultura orgânica busca a sustentabilidade socioambiental aliada à preservação da natureza, garantindo assim a manutenção da atividade agropecuária para as gerações futuras.

A produção de orgânicos tem sido uma das prioridades do Ministério da Agricultura.  Prova disso, foi a criação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Agricultura Orgânica, em março do ano passado e do processo participativo de regulamentação da Lei de Agricultura Orgânica (Lei 10.831), em que o Brasil trabalha o conceito de equivalência com as normas internacionais para a atividade.  Além disso, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, também criou o Pró-Orgânico (Programa de Desenvolvimento da Agricultura Orgânica), com o intuito de fortalecer e estimular o segmento.

Fonte:Interjornal. SEBRAE em 10/03/2005


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