Planta é resistente à seca

A razão para a mamona ser considerada uma esperança para o semi-árido, dentro do contexto da utilização do biodiesel como combustível, é simples. Sua raiz, mais comprida que de outros plantios, alcança até dois metros, buscando no fundo da terra a água escassa na região e tão necessária à sobrevivência. Na cultura popular rapidamente ficou marcada como uma cultura "resistente à seca". Investir em seu plantio pode significar uma perspectiva de renda a maior parte do ano, já que ela enfrenta até os períodos mais severos.

A mamona é uma aposta para o agricultor José Adelson Souto, 36. Morador da zona rural de Garanhuns, no Agreste Meridional do Estado, junto com os pais e dez irmãos, ele sempre cultivou feijão, milho e mandioca. Este ano, porém, resolveu aproveitar o financiamento do Banco do Brasil para investir em uma nova trilha. "Essas outras não têm preço garantido, um dia está alto, no outro baixo. E também se não chover, termina perdendo. A mamona não, é resistente à seca", avaliou Adelson.

A cultura é nova em seu dia-a-dia, mas seus pais já trabalharam com ela, há mais de trinta anos, antes mesmo que ele começasse a usar a enxada, aos "sete ou oito anos". "Eles deixaram por falta de preço, e porque não tinha comércio. Agora, acho que está um pouco diferente, e a gente já pode esperar uma renda melhor", disse.

Para o secretário de Agricultura de Garanhuns, Antônio Carlos Bartolomeu, a indústria ricino-química ainda é a alternativa para vender a produção no caso dos agricultores que investem na mamona. "As iniciativas que envolvem o biodiesel no Brasil ainda não estão inteiramente conectadas com as necessidades", avaliou.

Auge - Pernambuco viveu seu auge no plantio de mamona na metade da década de 70, quando a produção anual chegou a 59 mil toneladas e 110 mil hectares, segundo dados da Empresa Pernambucana de Pesquisas Agropecuárias (IPA). Hoje, a estimativa do órgão é de que sejam produzidos cerca de seis mil hectares no Estado. As duas indústrias locais que processavam o material (Icoasa, em Araripina, e Inove, em Petrolina), utilizável na confecção de produtos variados, como cosméticos e tintas, não o fazem mais. A tendência que debelou a agricultura de mamona no Estado teria sido a concorrência da produção do Exterior, que passou a fornecer a matéria-prima para essa indústria ricino-química.

fonte:Diario de Pernambuco em 29/05/2005

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