Hidropônicos perdem espaço nas prateleiras

Estante de produto hidropônico, que já foi febre de consumo.

Enquanto os produtos orgânicos ocupam cada vez mais espaço no mercado, as culturas convencionais e até a hidroponia, que já teve o auge há alguns anos, parecem estar estagnadas. Segundo dados nacionais, a venda dos alimentos sem agrotóxicos ou outros químicos em supermercados chegou a crescer mais de 20% e a tendência é que esse crescimento seja maior em 2007. Na região metropolitana de Curitiba, produtores de hidropônicos comentam a estabilidade que tiveram este ano e falam até de queda do lucro. Já os produtores de orgânicos comemoram o crescimento que tiveram em 2006.

Os irmãos Lazaroto trabalham com hidropônicos (produção nos moldes convencionais, mas em água), em Colombo, há oito anos e são fortes no ramo. Ao avaliarem o ano de 2006, eles afirmam que houve estabilidade, mas a margem de lucro diminuiu. Segundo Fernando César Lazaroto, um dos irmãos, para crescer seria necessário mais clientes. No entanto, não foi isso que ocorreu. “Os insumos subiram, o custo da produção subiu, a concorrência só tem aumentado, mas a venda não sobe. O que nos segura é que estamos há muito tempo no mercado, pois quem entra agora não consegue resistir”, afirma.

Até há um mês, os Lazaroto atendiam só supermercados, quase todos de Curitiba e alguns em outras cidades do Estado. No entanto, para que não tivessem queda, tiveram que encontrar outra saída para manter as vendas deste ano. “Os supermercados perderam um pouco as vendas e nós também. A nossa venda para supermercados, todos eles, chegou a diminuir até 20%. Há um mês encontramos uma outra opção, passamos a atender no Ceasa, que vende para feiras, mercados pequemos, atravessadores, de tudo. Só melhorou de novembro para cá”, diz Fernando. Outra saída para manter as vendas, é sempre lançar no mercado um novo produto. “Todo mês temos que entrar com um produto novo, para agregar valor e para que o faturamento se mantenha o mesmo. Hoje estamos com mais de 70 produtos em 2007 vamos começar com o broto de feijão”, comenta.

Lazaroto diz que na região de Colombo, todos os produtores do ramo, grandes e pequenos, não tiveram muito lucro e alguns até chegaram ao prejuízo. “Nós estamos estável e este ano ainda foi melhor que 2005, que foi péssimo. Este ano, o que temos que comemorar é que com tanta concorrência, nós conseguimos nos manter. Fomos  melhor que em 2005, mas também trabalhamos bem mais. Para 2007 estamos apostando no Ceasa, porque as vendas para os supermercados eu acho que não crescem”, reflete.

Ao contrário dos produtos convencionais, os orgânicos estão em expansão no mercado. Tanto que já para 2007, como lembra o engenheiro agrônomo da Emater em São José dos Pinhais, Alexandre Popia, a Prefeitura de Curitiba está montando um Mercado de Orgânicos, no  Mercado Municipal. Tudo para “abrigar” a produção que aumenta e atender a procura que cresce. Em São José, Luiz Cláudio da Rocha trabalha com apenas três produtos, mas 100% orgânicos. “Este ano foi muito bom. A gente cresceu muito. Não posso dizer quanto já tive de lucro e quanto em porcentagem cresci, mas sei que foi bom”, comemora.

Plantando alface americana, brócolis e alface crespa sem usar agrotóxico e com prática específicas de orgânicos, Luiz Cláudio está há dois anos e meio no mercado. Um dos fatores que o faz manter o crescimento é o fato de já produzir com venda garantida. “Eu entrego para um empresa de alimentos. Eu acredito que estamos vendendo mais, porque os produtos orgânicos estão cada vez com mais divulgação, principalmente quando são associados à saúde e à proteção do meio ambiente”, explica. Para 2007, o produtor espera ainda mais crescimento e investimento na propriedade. “O mercado de orgânico é muito promissor. No Brasil está em plena expansão, pois os consumidores estão mais conscientes dos benefícios”, conclui.

Fonte: O Estado do Paranã em  [30/12/2006] por Nájia Furlan


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