Lição de agroecologia em Saboeiro


Incentivados pela Cáritas de Iguatu, agricultores do sítio Baixio Verde aprenderam a preservar a terra, ao mesmo tempo em que plantam para o sustento de suas famílias

Projeto foi implantado há sete anos. Hoje os agricultores colhem milho e feijão fora do período chuvoso (AMAURY ALENCAR/ESPECIAL PARA O POVO)

Marmeleiro, cajarana, catingueira, Maria-preta, croatá, maniçoba (mandioca-brava), canafístula. São plantas nativas que os moradores do Sítio Baixio Verde, no município de Saboeiro, no Sertão dos Inhamuns, estão cultivando através do projeto agroflorestal implantado há sete anos. O exemplo de conscientização ambiental das famílias que vivem a 28 quilômetros da sede do município, está servindo de exemplo para outras comunidades do Sertão.

"A realidade está sendo outra, estamos conseguindo até produzir alimentos fora de épocas como o milho e o feijão, isto em qualquer período do ano", diz a professora Maria Wenne Alves de Sousa, uma das intregantes do projeto de aglofloresta do Baixio Verde. Ela destaca o cuidado das famílias em plantar fruteiras na área como banana, goiaba, acerola, ceriguela, maracujá. "Não queimamos a terra, não desmatamos, fazemos apenas uma pequena podagem para facilitar a nossa locomoção na área. Além de tudo o que é cortado aproveitamos o adubo para conservação do solo", informa.

O processo de plantio começa com os agricultores fazendo o roço (roçar, podar) e, no local, deixam tudo o que foi podado das árvores para que se transforme em adubo natural. Além de retirar da terra o próprio alimento, as famílias também querem expandir para comercializar na cidade e municípios vizinhos. "Esse projeto vinha sendo idealizado há nove anos, mas não tínhamos apoio de instituições", relembra Maria Wenne que foi presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Sítio Baixio Verde.

Foi quando a Cáritas Diocesana de Iguatu, através do técnico em agropecuária Oneci Angelim, iniciou um trabalho de conscientização agroecológica com as famílias agricultoras. Um novo modelo de produção agrícola foi planejado de forma a manter a vegetação nativa. "Hoje com o processo de preservação das matas, estamos conseguindo até um maior acúmulo de água. E os animais, que tinham sumido de nossas matas, agora estão retornando", diz a professora.

O agricultor Raimundo Albanir Neto, que reside no sítio baixio Verde, concorda com Maria Wenne. "O projeto ajudou a comunidade no conhecimento das nossas riquezas naturais. Antes, ninguém tinha noção do que fosse preservar as matas nativas. Hoje a realidade é outra. A comunidade não permite desmatar ou caçar". Ele diz que o projeto já recebeu visitas de biólogos e líderes comunitários de cidades como Tauá, Catarina, Iguatu, Santa Quitéria, Parambu, entre outros, interessados em levar os conhecimentos para suas comunidades. (Colaborou Amaury Alencar)

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Agrofloresta é um sistema que reúne as culturas agrícolas com as culturas florestais. Utiliza a dinâmica de sucessão de espécies da flora nativa para trazer as espécies que agregam benefícios para o terreno e para a colheita.

SAIBA MAIS

Pouca chuva na comunidade

Na comunidade de Baixa Verde, distante 28 quilômetros da sede de Saboeiro, os solos são cristalinos e há carência de água para o consumo. Chove, em media. 400 milímetros por ano e a evaporação e de cerca de 1.000mm/ano.

Moram na Baixa Verde, 14 famílias que sobrevivem da agricultura. O projeto de agrofloresta foi iniciado pela Cáritas Diocesana de Iguatu em 2003 numa área de três hectares que estava degradada.

Começou com o plantio de palmas, espécie nativa que exige pouca água e serve para o alimento dos animais. Depois plantaram sorgo, feijão, macaxeira e algumas fruteiras. As plantas nativas foram surgindo: aroeira, juazeiro, saibá, jurema, angico.

Os recursos utilizados foram de cerca de R$ 8 mil provenientes da Cáritas, Banco do Nordeste, Secretaria da Agricultura de Saboeiro e da Associação de Moradores do Baixio Verde. As famílias também criam animais: galinhas, porcos, ovinos e caprinos.

Fonte: O povo enm 27.12.2010 por Rita Célia Faheina


Leia Mais:



SIGA NOS

-->