Em sistema de café orgânico a variedade resistente é muito importante



Por José Braz Matiello – engenheiro agrônomo da Fundação Procafé e J.R. Dias e Lucas Franco – engenheiros agrônomos da Fazenda Sertãozinho

Variedades de café com resistência à ferrugem têm se mostrado uma boa opção para o cultivo de cafezais no sistema orgânico.

As lavouras de café conduzidas no sistema orgânico, sem o uso de adubos e defensivos químicos, têm apresentado nos últimos anos preços remuneradores para os cafés assim produzidos, motivando o incremento de áreas cultivadas nesse sistema.

As mudanças tecnológicas mais significativas necessárias no sistema orgânico dizem respeito à adubação e ao uso de inseticidas, fungicidas e herbicidas.

No aspecto de nutrição, o uso de calcário é normal assim com fosfatos ou seus derivados. Para NK os fertilizantes podem ser substituídos por compostos orgânicos sem problemas e até com vantagens técnicas, embora com elevação de custos devido às altas dosagens.

Quanto ao controle do mato, igualmente, não ocorrem dificuldades técnicas, pois podem ser empregadas roçadas, capinas mecânicas ou manuais.

No controle de pragas e doenças é que são encontradas maiores dificuldades. Para controle da broca e bicho-mineiro existem poucos produtos, biológicos, normalmente de baixa eficiência. Quanto aos fungicidas existe a opção de uso de caldas cúpricas, menos eficientes, apenas protetivas, e, por isso, necessitando de um grande número de aplicações no ciclo.

Em uma área de café orgânico de 6 ha, em fazenda no Sul de Minas, foi utilizada em sua maior parte a cultivar Arara, até o momento imune à ferrugem e uma pequena porção de uma variedade susceptível. Foram utilizadas, via foliar, três aplicações de fungicida cúprico no ciclo 2015/2016. Na observação feita agora em maio de 2016 foi verificada alta infecção e início de desfolha nos cafeeiros susceptíveis, e, ao contrário, sem quaisquer sinais da doença na cultivar Arara, a qual apresentava bom enfolhamento e alto vigor.

Conclui-se, portanto, que variedades de café como a Arara e outras, com resistência à ferrugem, constituem uma boa ferramenta para reduzir custos e evitar perdas produtivas no sistema orgânico. Com a possibilidade futura de contar com materiais genéticos com resistência múltipla, como a siriema, a viabilidade do sistema poderá ser ainda maior.

Fonte:Cafepoint em 25-05-2016


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