Composto orgânico deve ter selo de qualidade

 

As unidades de valorização orgânica da Resat, Braval, Resíduos do Nordeste e Resialentejo deverão ser as últimas a entrar em operação, entre 2010 e 2011. Nessa altura Portugal contará com mais de 20 centrais do género. Se, por um lado, estas infra-estruturas vão contribuir para desviar a matéria orgânica dos aterros, por outro lado, coloca-se a questão do destino a dar ao produto que resultar da sua actividade.

Na sua maioria, as unidades projectadas «vão produzir estabilizado que não terá muita qualidade. Na ENRRUBDA [Estratégia Nacional de Redução dos Resíduos Urbanos Biodegradáveis destinados aos Aterros] estava previsto que as novas unidades fossem programadas para composto, mas com o PERSU [Plano Estratégico para Resíduos Sólidos Urbanos] II isto acabou por ser um pouco adiado. O que se sabe é que a maioria das unidades projectadas vão trabalhar sobretudo com resíduos de recolha indiferenciada», lembra Ana Silveira, professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia. É o que vai acontecer, por exemplo, no caso das unidades de tratamento mecânico e biológico da ERSUC, lançadas a concurso no final de Março.

O escoamento dessa matéria é um dos problemas que se vai levantar. «Não há normalização para composto nem para estabilizado. É urgente que tal seja definido com todas as consequências que levanta. Isto porque o que as unidades vão receber são resíduos sólidos urbanos, que vão ser transformados e colocados no mercado sem controlo. O resíduo está a ser transformado em produto sem qualquer regulamentação», alerta Ana Silveira.

Em relação ao composto, a especialista sugere a criação de um selo de qualidade, de forma a que o produto possa ser diferenciado, à semelhança do que acontece em países como a Alemanha, Holanda, Suíça ou Áustria. Quanto ao estabilizado, o desafio está em descobrir outra alternativa que não passe pela sua utilização na agricultura. «Há alguma expectativa em relação à sua utilização nas florestas ou na recuperação de solos contaminados», exemplifica.

Actualmente as unidades da Lipor, Valorsul e Valor Ambiente, na Madeira, estão a produzir composto. Está também previsto, por exemplo, que a unidade da Braval, Valnor e Resat/Rebat/Residouro tenham recolha selectiva. «Depois há um conjunto enorme de unidades que vão trabalhar com indiferenciados ou indiferenciados e recolha selectiva, que se vão juntar apenas num digestor. Mas, em rigor, o produto que daqui vai resultar é um estabilizado. Se cumprir os critérios de qualidade pode ser considerado composto? Do meu ponto de vista, não», defende.

Fonte: Ambiente Online em 09-04-2008


Leia Mais:



SIGA NOS

-->