Produtor reduz custos com inovações

     Uma pequena propriedade rural pode se tornar auto-sustentável, fato não muito comum no agronegócio de pequeno porte. Essa situação é real na fazenda Pork Terra, localizada na cidade paulista de Caconde, na divisa com o sul de Minas Gerais.

     Seu proprietário é João Paulo Muniz, filho de produtores rurais, que cursou apenas o primeiro ano de Direito, e que deixou a faculdade para se dedicar ao sonho de fazer a propriedade familiar ser sustentável.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias, ele apostou em inovações para reduzir custos na criação e abate de suínos, num frigorífico construído dentro da propriedade.

Os dejetos dos animais são utilizados na produção de biofertilizantes para a lavoura de café, além do biogás, que supre 50% da energia da propriedade.

     A banha de porco não aproveitada na linha de torresmo pré-pronto é transformada em combustível para tratores e veículos, enquanto a glicerina, um subproduto do biodiesel de origem animal, é transformada em sabão para lavar máquinas, instalações e veículos.

     "Todo trabalho é baseado no tripé de ser sustentável ambientalmente, olhar os 30 funcionários de carteira assinada sob o foco da responsabilidade social e, é claro, ser economicamente viável. E pontuo essa questão de ser economicamente viável porque o tripé só funciona se houver lucro. Sem lucro nada vai para frente."

     Com um investimento que girou em torno de R$ 100 mil, ele passou a aproveitar os dejetos dos suínos -- antes descartados numa nascente dentro da fazenda -- para fazer biofertilizante e biogás e o 1,5 centímetro de banha de porco descartado no processo de produção do carro-chefe do frigorífico Pork Terra, o torresmo, para produzir biodiesel.

     João Paulo contou com o suporte técnico e científico do químico Deuva Magalhães Poli, que retornou à Caconde depois que aposentou após décadas de trabalho em São Paulo. Poli foi o responsável pelas pesquisas que deram origem ao biodiesel feito com banha de porco e ao biogás e fertilizantes.

     A produção mensal de biodiesel de banha é de 190 litros, suficientes para fazer rodar os tratores e veículos da fazenda, que não compra nem mais uma gota de combustível.Laudo técnico emitido por um laboratório de análises de Nova Paulínia comprova que o biodiesel produzido na Terra Pork segue os padrões da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

     "O laudo não me dá autorização para vender, porém permite que utilize o combustível na fazenda", explica João Paulo. A produção do biodiesel a partir da banha gerou a glicerina como subproduto, que passou a ser utilizada na fabricação do sabão utilizado na lavagem das instalações, máquinas e veículos da fazenda.

     As inovações permitiram ainda que a fazenda reduzisse em 50% o gasto com energia elétrica, utilizando os dejetos dos suínos, que têm alta concentração de gás metano. Com as pesquisas, João Paulo passou a produzir biogás -- que hoje alimenta não apenas a parte elétrica, como também é utilizado nos fogões à gás da propriedade. Além de energia, os dejetos são transformados em biofertilizante, usado nos 75 hectares de café da fazenda, gerando uma economia de 40% porque João Paulo optou por uma mistura com os produtos encontrados hoje no mercado.

Fonte: Jornal de Piracicaba  em quarta, 25 outubro 2006 .


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