Ceará vai produzir caju com redução do uso de agrotóxico

 


O Ceará vai agora investir na produção de caju com redução do uso de agrotóxicos para ter direito ao selo de conformidade do Ministério da Agricultura. A primeira experiência foi implantada em Beberibe, um dos maiores pólos produtores de caju do Estado

Manuella Monteiro, da Redação

O caju cearense vai ganhar em breve um selo de qualidade. Está localizada no Ceará a primeira fazenda do Brasil a implantar o programa de Produção Integrada de Caju (PIF-Caju) desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Granja Soever, localizada em Beberibe, a 81 quilômetros de Fortaleza, aderiu às práticas do sistema em caráter experimental.

A meta é que, dentro de um ano, a propriedade, que tem 300 hectares de cajueiro, ajuste seus processos às normas técnicas específicas da PIF-Caju e possa receber o selo de conformidade expedido pelo Instituto Nacional de Metrologia e Ministério da Agricultura. Para tanto precisa reduzir ao máximo o uso de defensivos químicos. ''Com o menor uso possível de agrotóxicos, daremos mais saúde ao trabalhador e ao consumidor garantindo também a sustentabilidade do agronegócio'', afirma o pesquisador e responsável pela PIF-Caju, Vitor Hugo de Oliveira.

A PIF já desenvolveu outros projetos no País, mas com relação às culturas da maça, da uva e da manga. Nestas propriedades, o volume de defensivos foi reduzido em 65%, representando uma queda de 25% nos custos da produção. O pesquisador da Empraba afirma que o pouco uso de produtos químicos é uma das maiores preocupações dos países que importam o produto, como Canadá e Estados Unidos, constituindo-se muitas vezes em verdadeiras barreiras não-tarifárias.

O diferencial da PIF-Caju implantado no Ceará é investir na produção do chamado ''caju de mesa'', ou o caju in natura. Antes, o pendúnculo era simplesmente descartado e toda a preocupação econômica voltava-se para a castanha.

O Ceará e o Piauí lideram o ranking dos maiores abastecedores de caju no Brasil, seguidos pelo Maranhão e pela Bahia. Os principais consumidores são Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. O País por sua vez é o segundo no mundo que mais produz amêndoas de castanha, atrás apenas da Índia. Mas quando se trata do caju in natura, o Brasil é o único no mundo que exporta o pseudofruto.

Contraditoriamente, como lembra o pesquisador, o preço do quilo do caju pago pelo consumidor no Ceará ainda é alto, cerca de R$ 5. Para Vitor Hugo de Oliveira, uma das razões é o fato de o caju ser altamente perecível. Segundo ele, a vida em prateleira do produto é de no máximo 19 dias, com refrigeração contínua. ''Com o mercado crescente e mais produtores se dedicando a esta cultura, a tendência do preço é cair'', afirma.

A meta da Embrapa é de que até o final deste ano 10 produtores do Ceará e do Rio Grande do Norte, onde o programa também será desenvolvido, sejam incorporados ao sistema. O Ministério da Agricultura está investindo R$ 1 milhão até 2004 para que a cajucultura se adeque às novas exigências do mercado externo.


SERVIÇO

Para mais informações sobre o programa: 85-299.1841 ou através do e-mail [email protected]

fonte: Jornal O Povo, Fortaleza, 21 de Setembro de 2002

 


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