Projeto de geração de renda beneficia três quilombos do Rio



Plantão | Publicada em 21/01/2011 às 16h39m
O Globo

RIO - A Light vai iniciar a implantação da Produção Agroecológica Integrada Sustentável (Pais) em três comunidades quilombolas no estado do Rio, para garantir a manutenção das famílias nos quilombos por meio da geração de renda em suas terras. O projeto, inédito no estado, será levado aos quilombos de Santana, em Quatis; São José da Serra, em Valença; e Alto da Serra, em Rio Claro. Na área de concessão da Light, empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica para 31 municípios do Rio, há registros de pelo menos cinco comunidades quilombolas (locais organizados pelos escravos que fugiam de seus senhores, cujos primeiros registros datam dos séculos XVI e XVII). As comunidades já foram beneficiadas por ações de eficiência energética, sustentabilidade, responsabilidade social e de resgate da cidadania ao longo de 2010, dentro do Projeto Quilombo.

Criado pelo senegalês Ali N'Daye, o projeto Pais consiste em um cultivo de vegetais em mandalas, integrado com a criação de galinhas e plantações de árvores. A plantação conta com um sistema de irrigação por gotejamento que permite maior rendimento e produção em áreas relativamente pequenas.

Ainda nos quilombos, a Light informa que já beneficiou aproximadamente 400 pessoas com a troca de 75 de geladeiras e de 700 lâmpadas incandescentes por versões fluorescentes compactas, que economizam energia. Além disso, foram feitas cem reformas elétricas dentro das residências dos quilombolas e houve a normalização e regularização de cerca de 70 clientes. A empresa auxiliou, ainda, os quilombos na inclusão de 70 famílias na tarifa social, que oferece isenção de pagamento de conta de energia com consumo abaixo ou igual a 50 kWh e descontos de até 40% para consumo até 100 kWh.

Atualmente existem 40 quilombos estão espalhados por 22 estados do país, segundo a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) e a Fundação Cultural Palmares (FCP). Eles guardam um pouco dos costumes e tradições africanas. O Quilombo Alto da Serra, em Lídice, distrito de Rio Claro, tem como tradição principal a culinária e o artesanato. A comunidade tem aproximadamente 200 habitantes de uma mesma família. Já o de São José da Serra, em Valença, existe há cerca de 150 anos e é o mais antigo do estado. Lá também estão cerca de 200 quilombolas, que moram em casas de adobe ou pau-a-pique com telhado de palha. O trabalho em conjunto na agricultura de subsistência, o catolicismo, a umbanda, o artesanato tradicional, o fogão à lenha, o Jongo e o Terço de São Gonçalo fazem parte do cotidiano dos moradores desde a chegada dos seus antepassados na fazenda, por volta de 1850. E na comunidade quilombola de Santana, em Quatis, a 144 km do Rio, até hoje ainda é possível ver nos fundos da Capela Sant´Ana - construída em 1867 pelos antigos escravos que viviam na Fazenda do Barão do Cajuru - o túmulo do Barão, que após a morte teve um pedaço de suas terras da fazenda doado pela filha Maria Isabel de Carvalho a cada um de seus ex-escravos. A doação foi feita no dia 8 de setembro de 1903. Em janeiro de 2006 viviam 23 famílias no local.

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