IMG-LOGO

IMG


A produção de orgânicos foi uma revolução profissional e pessoal para Ricardo Schiavinato. Conheça essa história.
A fazenda Nata da Serra se tornou parceira da Embrapa referência no tema.
TOPO
Por Chevrolet

21/02/2020 18h07 Atualizado há 18 horas

A relação de Ricardo Schiavinato com o campo foi construída aos poucos, dos bancos da universidade aos aprendizados e pesquisas do dia a dia. Criado no interior de São Paulo e filho de dentista, Ricardo decidiu que não gostaria de seguir a carreira do pai e optou por cursar faculdade de Agronomia. Quando o filho se formou, em 1990, a família decidiu investir em uma propriedade em Serra Negra, no circuito das águas.

A fazenda estava degradada e desmatada, com solos erodidos, córregos assoreados e pastos degradados. Apesar dos conhecimentos universitários, Ricardo precisou começar o trabalho praticamente do zero. “Uma coisa é você ser agrônomo, e outra coisa você ser dono de terra. A gente não tinha muita noção ainda do que que era”, diz.

Nos primeiros anos, Ricardo se dedicou à criação de alguns animais e ao plantio convencional de tomate, pimentão, morango, berinjela e outras hortaliças. Apesar do esmero, os problemas financeiros que o Brasil enfrentava em uma época de inflação altíssima e diversos planos econômicos acabaram se refletindo por ali. “Eu praticamente quebrei depois que veio o Plano Real”. Entre 1995 e 1996, ele chegou a falar com os pais sobre a venda da propriedade. Embora gostasse do que fazia, financeiramente o trabalho não funcionava e Ricardo sentia que precisava fazer outra coisa.

Uma conversa com os pais sobre os produtos que colhia e uma visita às terras herdadas por um amigo da família, que começara a produzir orgânicos, foram a deixa para que Ricardo passasse a ter um outro olhar sobre modos de cultivo e o que havia aprendido nos bancos da universidade. “No primeiro momento eu falava isso não é possível, produzir orgânico. Não pode dar certo. Fui ver e fiquei admirado. Vi aquele trabalho que ele estava fazendo e falei: isso tem solução. Dá para fazer!”. O processo de conversão da produção convencional para a produção orgânica veio a partir de 1997, e foi um divisor de águas na vida do produtor, que passou a se dedicar principalmente aos laticínios.

“Na agricultura orgânica, você tem uma relação de tudo acontecendo. Quando eu entendo isso, é preciso cuidar do solo. Faço as correções corretas, adubações orgânicas. Fui entendendo que existem outros insetos. A gente sempre olha o lado ruim, mas na natureza a maior parte dos insetos são benéficos, tem inseto que come inseto. Você tem o que a gente chama de controle biológico: se a joaninha come ovo de uma praga, você não vai ter essa doença”, explica Ricardo.

“Você acaba utilizando a própria natureza, o que já existe, de uma forma sustentável. Isso também é tecnologia”.
A revolução profissional de Ricardo também se estendeu para uma pessoal. “Eu passei a ser um patrão diferente. A relação com meus funcionários, a relação com a minha família, a relação com a minha mulher. Tudo isso muda porque a gente começa a entender que está tudo interligado, tudo relacionado. Você não consegue seguir um caminho sozinho se no teu entorno tudo não estiver bem. Como é que pode tudo ficar bem se os meus funcionários não estão aproveitando dessa mesma onda?” diz. “Isso mudou para mim a forma como eu entendo o mundo”.

Hoje, a fazenda Nata da Serra é uma referência quando o assunto é a produção orgânica, e recebe visitantes de todo o Brasil e sedia cursos sobre o tema. Considerada uma unidade de demonstração pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a propriedade abriga pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de produção. “Essa tecnologia de produção está sendo replicada para outros elos da cadeia, mesmo que não sejam orgânicos. Isso favorece a agricultura brasileira como um todo”, pensa Ricardo.

“Eu tenho amigos que fizeram faculdade comigo e hoje são grandes produtores no Centro-Oeste brasileiro. E eles estão usando tecnologias que já são sedimentadas dentro da agricultura orgânica para melhorarem a produção de soja, milho e algodão em alta escala. A utilização de fungos para controle de pragas, a utilização de adubação com pó de rocha. Eu acho que a agricultura orgânica está aí para isso. Para ser uma semente para mudar a sociedade”.

Quando perguntado sobre como conta o que faz para as pessoas que recebe, Ricardo demonstra satisfação pela trajetória que percorreu. “Normalmente as pessoas imaginariam que eu falaria ‘eu sou engenheiro agrônomo’, e eu na verdade falo que eu sou produtor de alimento, e alimento de qualidade. Quando eu falo que sou produtor orgânico, sinto um orgulho muito grande. Sou muito feliz e não mudaria nada dessa trajetória. Não foi fácil. Foram muitas coisas que aconteceram, muitas mudanças. Inclusive a de passar de um sistema que eu acreditava, ter que ir para o fundo do poço para depois descobrir um sistema novo de produção que mudou a minha vida”.

Nome: Ricardo Schiavinato
Idade: 52 anos
Cidade e estado: Serra Negra, SP
Há quanto tempo trabalha no campo? Desde 1990
Com o que trabalha no agro? Laticínio orgânico
Nome de marca: Nata da Serra
Quantidade produzida: 1500 litros de leite por dia (com que são feitos iogurtes, requeijão, manteiga, queijo frescos, ricota, mussarela e queijo meia cura).
ChevroletCONTEÚDO DE RESPONSABILIDADE DO ANUNCIANTE


Leia Mais: