700 produtores participam da cadeia produtiva de algodão ecológico

 

Do Ceará, vem o algodão plantado e colhido. De São Paulo, os tecidos prontos. Da Amazônia, os corantes e as sementes que vão embelezar os produtos. De Porto Alegre, o produto final. Mãos geograficamente distantes se unem quando o assunto é cooperativismo. O elo de ligação é o algodão ecológico que, em quatro anos, já une cerca de 700 agricultores, coletores de sementes, fiadores, tecedores e costureiras de diferentes estados brasileiros.

Unindo trabalhadores de norte a sul do Brasil, a marca de roupas e acessórios Justa Trama é o resultado final de uma cadeia produtiva do algodão ecológico que, através de uma extensa rede de economia solidária, vem conquistando novos mercados no Brasil. A idéia da Justa Trama se concretizou em 2005 quando, após produzirem 60 mil sacolas para os participantes do Fórum Social Mundial, seis dos 36 empreendimentos participantes decidiram emplacar o projeto. Hoje, um comitê gestor, integrado por representantes das cinco cooperativas e da empresa responsável pelo processo produtivo coletivo, administra a logística e os negócios da Justa Trama.

A produção tem início com a cultura do algodão sem agrotóxico plantado e colhido por cerca de 240 agricultores familiares da Associação de Desenvolvimento Educacional e Cultural de Tauá (ADEC), no Ceará. De lá, o algodão vai para a Cooperativa Nova Esperança (Cones), em Nova Odessa (SP), onde 300 trabalhadores ficam responsáveis pela fiação. Em Santo André (SP), o produto é transformado em malha e tecido pela Cooperativa de Trabalhadores em Fiação, Tecelagem e Confecções (Textilcooper).

A próxima etapa fica por conta dos trabalhadores da Fio Nobre, em Santa Catarina, onde são produzidas roupas artesanais mais finas (blusas de tricô, tear e bordados à mão). A última etapa do processo produtivo é executada pela cooperativa de costureiras Unidas Venceremos (Univens) de Porto Alegre (RS). As sementes da Cooperativa de Açaí de Roraima também participam da cadeia enfeitando as peças.

Seguindo o princípio da economia solidária de preservação do meio ambiente, os produtos da Justa Trama são 100% orgânicos, o que os faz ter como principal mercado consumidor pessoas preocupadas com o meio ambiente. A produção de cerca de 8 mil peças de vestuário já começa a ficar pequena para os avanços do mercado. Experiências de venda dos produtos em feiras de artesanato e eventos mostrou que as roupas têm boa aceitação entre os consumidores. Agora, a idéia é aumentar a produção de algodão ecológico, convencendo novos agricultores a fazerem parte da rede.

Outro desafio da marca é desenvolver processos naturais de tingimento e fixação da cor no algodão para diversificar as peças produzidas e conseguir acompanhar as tendências de mercado. A Justa Trama também tenta tornar-se uma marca auto-sustentável apenas com a cadeia do algodão ecológico, pois, hoje, para garantir a sustentabilidade do processo, as cooperativas aceitam também encomendas com outros tipos de matéria-prima.

Se, por um lado, ainda existem desafios, por outro, sobram vantagens para os trabalhadores solidários. Além da inclusão no trabalho formal, os produtores conseguiram dobrar os seus ganhos com o algodão ecológico, comparativamente aos produtos tradicionais. Sem exploração do trabalho humano nem prejuízo à natureza, as centenas de famílias dos trabalhadores envolvidos estão ganhando igualmente com a rede solidária.

As matérias sobre Economia Solidária são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

* Jornalista da Adital

Fonte: Agência Adital em <http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=28768>


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