Produtor deve criar selo de certificação para obter preço diferenciado

Após o sucesso comercial das frutas, verduras e legumes orgânicos, a nova aposta dos agropecuaristas pernambucanos é a produção de carnes livres de resíduos químicos. A criação de suínos sem o uso de antibióticos e hormônios artificiais, amplamente difundida no sul do País, começa a apresentar seus primeiros resultados no Estado. Com um mercado potencial amplo, a carne de porco orgânico pode render aos suinocultores até 30% a mais do que a produzida pelo sistema tradicional. Em outros estados, a carne suína certificada fica em torno de R$ 15 o quilo. Já a carne comum está cotada entre R$ 9,00 e R$ 10,00, o quilo.

Responsável pela produção de 90 leitões orgânicos para recria por mês, a diretora da granja Bom Recreio, Elza Alves de Souza, afirmou que a ausência de um selo de certificação que comprove a origem do produto no Estado tem inibido a obtenção de preços diferenciados. As expectativas dos criadores são de que dentro de dois anos toda a carne de porco obtida através do sistema orgânico de criação possaser certificada, garantido valor agregado ao produto.

A pecuarista explica que os cuidados dispensados à produção de porco orgânico começam com as matrizes e reprodutores. O sistema de confinamento em baias de 5 metros quadrados é substituído per áreas de pasto, com capacidade para até 40 animais. A ração também merece uma atenção especial. Livre de agentes químicos e hormônios de crescimento, ela é produzida na própria granja, através de uma mistura de milho, farelo de soja e cevada.

Os leitões são criados em recintos com camas sobrepostas de bagaço de cana ou casca de arroz, o que evita o desperdício de água com a lavagem diária das baias. Além disso, o substrato é utilizado como adubo orgânico para a produção de gêneros agrícolas. Elza Souza revela que cada leitão com 45 dias é comercializado a R$ 55,00. O custo de produção por unidade é de R$ 22,00, cerca de 15% mais barato do que o dos porquinhos criados no sistema tradicional.

Com um plantel de 220 matrizes e produção semanal de dez toneladas decarne de suíno, o pecuarista Marcelo Holanda afirmou que só existem sete criadores de porcos orgânicos em Pernambuco. Ele assegurou que a Associação dos Criadores de Suínos não tem medido esforços para conseguir certificar a carne produzida no Estado e que a falta do selo impede que a carne alcance melhores preços de mercado. "Atualmente toda a produção é negociada a preços iguais aos pagos pelos porcos não orgânicos. A margem de lucro fica restrita apenas à economia feita com insumos como antibióticos e rações industrializadas", arrematou".

Os produtores explicam que os animais são repassados para frigoríficos comuns, que não fazem qualquer distinção entre a carne orgânica e a comum. A idéia é criar um sistema que permita a ampliação do rebanho suíno criado dentro das linhas da pecuária orgânica e concentrar o abate em um único frigorífico. Dessa forma torna-se mais fácil fazer o controle do produto e conferir o atestado de qualidade ao produto reconhecidamente orgânico. Espera-se que a carne do porco orgânico criado em Pernambuco chegue aos supermercados no início de 2007.

Fonte: Diário de Pernambuco - Edição de Domingo, 11 de Julho de 2004

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