Porco verde: nova forma de criar e gastando menos

OUTRA DO BRUN - Depois do queijo tipo suíço, pequeno produtor assentado em Chapadão do Sul mostra carne de suíno light, com gosto refinado e sem cheiro

Maurício Hugo

Álido Brun, o gaúcho que fabrica um queijo de sabor comparado aos melhores do mundo, apresenta agora uma outra novidade em sua pequena propriedade no município de Chapadão do Sul: o chamado porco verde, um produto que tem a carne sem o cheiro tradicional da carne de porco, que é mais saborosa, é criado sem poluir o meio ambiente e, o mais importante, com custo pelo menos 70% inferior aos suínos criados da forma tradicional.

No próximo dia 23, em um restaurante fino, em Campo Grande, acontecerá a primeira degustação do porco verde, para convidados especiais, especialmente autoridades ligadas ao Governo do Estado, além de representantes comerciais e gente ligada ao setor de restaurantes.

O porco criado por Álido Brun tem como principal característica o fato de comer capim. E o pequeno produtor tem sua justificativa para o fato de ter adotado essa técnica para criar o seu porco verde. "Na década de 60, talvez um pouco antes, os brasileiros aprenderam de representantes do poder econômico internacional que os porcos seriam chamados de suínos, para os quais fora inventada uma comida artificial, as chamadas rações balanceadas, fugindo da originalidade. Só para atender interesses econômicos de grandes grupos de fora do Brasil", conta o gaúcho, que é natural de Cinquentenário,
município de Santa Rosa.

Ele afirma que nas rações existem as proteínas, os carboidratos, as vitaminas, os sais minerais e as enzimas. "Só que nos pastos aqui do cerrado e de outras regiões nós temos gramíneas e leguminosas muito ricas em proteínas, em carboidratos, em cálcio, em fósforo, em ferro, vitaminas e tudo aquilo que tem nas rações, com uma grande vantagem, custa só 20% do que custam as rações", explica o produtor.

Ele afirma que as instalações onde ele cria o porco verde também são diferentes. "São instalações simples, e de baixo custo. São tipo piquetes, pequenos, com cobertura feita de napiê ou plástico". Os piquetes têm saída para área de pasto de tifto, onde os animais são colocados para pastoreio duas vezes ao dia. Os porcos também recebem como alimento cana-de-açúcar que, depois de comida pelos porcos, forma como que um "tapete" nos piquetes, evitando assim o barro. Outro alimento muito importante, que os porcos comem bastante, é a leucena, de grande poder nutritivo para os animais.

"Não há nada de muito especial, só que não há moscas, não tem mau cheiro, não é preciso utilizar produtos de limpeza. Eu uso muito menos mão-de-obra e consigo produzir um animal com carne mais saborosa que o suíno normal que tem aquele cheiro bem característico e que não agrada a muita gente", enfatizou o criador.


Custo menor

O produtor de Chapadão do Sul já tem sido visitado por técnicos interessados em conhecer a sua técnica e mostrou a todos eles que gasta muito menos do que um produtor tradicional para chegar a um porco com 100 quilos. "Na verdade, eu demoro mais tempo para criar um porco até a hora de abater, mas meu gasto é significativamente menor", garante Brun.
Segundo apresentou aos técnicos, para produzir um suíno com 100 quilos um produtor normal gasta aproximadamente R$ 170; ele gasta, com o seu porco verde, R$ 50 para produzir um animal do mesmo tamanho e peso. Só que o suíno chega aos 100 quilos com cinco meses e o animal que cria chega a esse peso só com oito meses. Brun garante: o suíno chama moscas, o porco verde não; o suíno tem mau cheiro, o porco verde não cheira; o suíno polui o meio ambiente, o porco
verde não; a carne de suíno cheira forte, a de porco não cheira.

Tudo isso o pequeno produtor quer provar no contato que está tendo com técnicos, inclusive da Secretaria da Produção e do Turismo, e também no dia da degustação, que será acompanhada por autoridades diversas. Brun pretende chamar, além do secretário José Antônio Felício e o delegado federal da Agricultura, José Antônio Roldão, o governador do Estado, José Orcírio dos Santos.

fonte: Correio do Estado, 14/07/03

 
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