Maranhão exporta artesanato e plantas medicinais

A rede de consórcios intermunicipais do Maranhão vai firmar parceria com o Banco Nacional da Agricultura Familiar (BNAF) para a exportação de plantas medicinais e artesanato maranhenses para a Europa. A idéia é criar uma rede de cidades envolvidas na produção com vistas à exportação. O BNAF é um projeto da Fundação Lyndolfo Silva, com sede em Brasília. O banco possui cinco agências espalhadas pelo território brasileiro que disseminam tecnologia e disponibilizam serviços essenciais à agricultura familiar.

Um dos serviços é o programa de Importação e Exportação (Impex), que tem como função identificar nichos de mercado externo, estimular a reconservação produtiva e executar projetos que visam o fortalecimento do capital social local para exportação de produtos agropecuários.

O BNAF já desenvolve a conquista de nichos de exportação para o chamado 'mercado solidário' ou 'mercado justo', incluindo produtos da agricultura familiar de diversos pontos do Brasil. Ao demonstrar otimismo quanto à possibilidade dos produtos maranhenses serem exportados, o diretor técnico da Fundação Lyndolfo Silva, Murilo Flores, que esteve em São Luís semana passada, afirmou que o mercado para as plantas medicinais e o artesanato já existe no exterior, principalmente na Itália.

´Há uma demanda grande na Europa por plantas medicinais e artesanato. O que precisa fazer no Maranhão é um trabalho de organização´, explicou Murilo Flores, destacando que um estado que já está organizando sua oferta para exportar é Santa Catarina. O diretor técnico ressalta ainda que é necessário produzir em escala e com qualidade.

O fato de existir mercado não significa que toda planta medicinal produzida no Brasil possa ser exportada. Murilo Flores deixa claro que os países europeus fazem questão de plantas nativas. Um exemplo é o pau d'arco. O artesanato maranhense também tem potencial imenso para exportação. Os consumidores europeus são interessados, em especial, em artigos confeccionados com fibras regionais. Um dos primeiros passos do BNAF, em conjunto com os consórcios para organizar a exportação do artesanato, vai ser a elaboração de um catálogo de produtos.

É meta ainda desenvolver um trabalho de adaptação do artesanato. Significa orientar os artesãos quanto ao formato e tamanho, de acordo com as várias utilidades, como artesanato para decoração e de alto valor. Outro tipo com aceitação no mercado externo é o artesanato de utilidades, como cestos, suporte para pratos e outros artigos. Murilo Flores destaca ainda um terceiro tipo, que são as embalagens de produtos orgânicos e de frutas in natura.

O secretário executivo do Consórcio Intermunicipal de Produção e Abastecimento (Cinpra), Léo Costa, explicou que vai ser feita uma ampla articulação para colocar as idéias em prática, envolvendo a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Maranhão (Fetaema), os consórcios intermunicipais existentes no Maranhão e no Piauí e a Universidade Federal do Maranhão (Ufma).

A Ufma pode exercer papel fundamental no processo de produção das plantas medicinais. ´A universidade possui um herbário com 10 mil variedades de espécies de plantas medicinais, que vai embasar a montagem dos viveiros´, ressaltou Léo Costa. O herbário da Ufma tem à frente a professora Terezinha Rego, que atualmente está testando o uso da planta conhecida no estado como xanana em pacientes portadores do HIV.

O cultivo de plantas medicinais para a comercialização por parte dos produtores dos municípios consorciados é pequeno, diz Léo Costa. A idéia é criar uma rede de consorciados que passem a cultivar plantas medicinais. Já a confecção de artesanato está bem mais avançada. O que falta é estruturar e organizar a produção.

fonte: Gazeta Mercantil- PA 07/11/2001

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