Pecuária brasileira verde

Entre 1990 e 2015, a área de pastagens diminuiu em 12%, enquanto a produtividade da carne cresceu 229%

O mundo se prepara para debater os desafios globais que moldarão o futuro da produção animal sustentável, responsável e produtiva, no 10º Fórum Global para Alimentação e Agricultura, entre 18 a 20 de janeiro, em Berlim. E o Brasil levará importantes contribuições.

A pecuária representa 6,8% do nosso PIB. Entre 1990 e 2015, a área de pastagens diminuiu em 12%, enquanto a produtividade da carne cresceu 229%.

O que explica a evolução? Trata-se do efeito poupa-terra. Do avanço na produção de carne, 21% referem-se ao aumento da área de pastagem e 79% decorrem de produtividade, explicada pelo efeito de 38% da contribuição do desempenho animal e 62% pela taxa de lotação.

Assim, a “pecuária verde” é uma realidade nos sistemas produtivos brasileiros. E, sob este conceito, pesquisadores da Embrapa continuam entregando inovações: intensificação dos sistemas produtivos, otimização do uso da terra, soluções para o bem-estar animal, entre outros ativos e tecnologias sustentáveis.

Uma das mais recentes revoluções são os sistemas lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Trata-se de estratégia de produção que integra sistemas agrícolas, pecuários e florestais em uma mesma área, beneficiando todas as atividades ao mesmo tempo e garantindo produtividade, renda e sustentabilidade. Desenvolvidos ao longo das últimas três décadas em diversos formatos, já estão presentes em mais de 11 milhões de hectares, área maior do que o estado de Pernambuco - e desperta interesse em vários países.

Os sistemas ILPF são uma das mais robustas tecnologias para o futuro sustentável da agropecuária no planeta. Além de possibilitarem a recuperação de áreas degradadas, com baixa produtividade, proporcionam benefícios diretos e indiretos aos animais, como o fornecimento de sombra e melhoria das condições microclimáticas e ambientais. Podem, por exemplo, reduzir, em até 8°C, a temperatura ambiente em relação às pastagens sem árvores.

Mais recente é o Carne Carbono Neutro, apresentado por especialistas da Embrapa durante a Conferência Mundial sobre o Clima em Bonn, Alemanha (COP-23). O conceito é inovador e inclui o componente florestal, capaz de neutralizar o metano emitido pelo rebanho – o que agrega valor à carne e aos produtos gerados. Com o Carne Carbono Neutro os produtores buscam difundir a importância da sustentabilidade nas cadeias produtivas associadas (carne, grãos e silvicultura) e otimizar com efeitos positivos o uso dos insumos e fatores de produção.

O Brasil possui uma forma singular de fazer pecuária. Evoluímos muito desde a década de 1970 e estamos trabalhando duro para aprimorar nossos ganhos de produtividade. Saltamos de uma média nacional (peso vivo) de 56 kg/ha/ano para 115 kg/hectare/ano em sistemas extensivos. Sob sistemas de ILPF, produzimos 900 kg/ha/ano; em sistema de alta lotação a pasto, chega-se a 2.500 kg/ha/ano. E, sob pastagem irrigada, pode-se alcançar 4.500 kg/ha/ano.

Aumentar a produtividade é incrementar a oferta mundial de alimentos. Fazer isso sem utilizar novas áreas é a solução da pecuária brasileira verde. O Brasil, com o uso de ciência, tem contribuído como poucos países para a produção de proteína animal de alta qualidade, segura e de forma sustentável.

*Cleber Oliveira Soares é doutor em Ciências Veterinárias, pesquisador e diretor-executivo de Inovação e Tecnologia da Embrapa.

Fonte:Embrapa em 18-01-2018


Leia Mais:

SIGA NOS