EUA: Produção a pasto é o novo orgânico

A produção de alimentos a pasto é o novo orgânico. Ou seja, assim como a indústria de alimentos orgânicos cresceu, também cresceu a de alimentos produzidos a pasto. Essa é, aparentemente, uma indústria de pelo menos US$ 2,5 bilhões e está crescendo, de acordo com a indústria de produção a pasto. No momento em que esse artigo foi escrito, estava sendo realizada a 2016 Grassfed Exchange Conference, em Perry, Georgia – essa é a oitava conferência anual – e também há uma Associação Americana de Produção a Pasto. Em outras palavras, há um tipo de movimento em direção à produção a pasto nos Estados Unidos, com cada vez mais restaurantes oferecendo carne bovina produzida a pasto e mercados oferecendo seus produtos lácteos feitos com leite produzido a pasto. Pode-se comprar até mesmo ovos produzidos a pasto (que geralmente significa que as poedeiras ficam livres e podem comer pastagem se quiserem mas, é claro, galinhas geralmente não comem pasto) e, é claro, há leite, iogurte, manteiga, com leite de vacas criadas a pasto. Pode-se encontrar até mesmo macarrão com queijo produzidos a pasto.

Assim como os alimentos orgânicos, os alimentos produzidos a pasto são aparentemente mais saudáveis e assim como acontece com a palavra orgânicos, sem citar a palavra natural, há muita confusão sobre o que exatamente significa produzida a pasto.

Se você está consumindo uma carne ou bebendo um leite a pasto – grass-fed, no termo em inglês -, o que isso significa? Que o animal que forneceu a carne ou o leite teve uma dieta de pasto, ou seja, que o animal foi criado ao ar livre, comendo pasto, como manda a natureza.

Porém, “muitas marcas afirmam que são produzidas a pasto quando a dieta do animal contém somente uma quantidade mínima de pastagem e, como o termo “grass-fed” não é regulamentado pela Associação de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA), isso tem confundido os consumidores sobre categorias que afirmam ter pouca ou nenhuma autenticidade”, disse a gerente de marcas da Stonyfield Organic, fabricante de iogurte orgânico de Londonderry, New Hampshire, Lizzie Conover.

Para ajudar a conter isso, alguns grupos da indústria vêm oferecendo às companhias a chance de solicitar uma certificação de produção a pasto. Para um de seus iogurtes integrais, Conover disse que a companhia obteve uma certificação de 100% produção a pasto da Pennsylvania Certified Organic (PCO).

“O termo ‘grass-fed’ está começando a ser usado com muita frequência em minha opinião”, disse o diretor do Crosswinds Grille at The Lakehouse Inn em Geneva, Ohio, Nate Fagnili. “Existe uma enorme diferença entre a carne bovina que é criada e terminada apenas a pasto, versus aquela que é criada a pasto e suplementada ou terminada com grãos. Essas diferenças são tanto no sabor como nos benefícios para a saúde com seu consumo”.

Fagnili gosta de um termo que tem sido usado ultimamente: carne bovina terminada no pasto. “Isso simplesmente significa que a carne bovina foi produzida de animais criados e terminados em pasto somente”.

Não se pode realmente culpar um produtor se ele mantém seus animais no pasto por seis meses e, depois, os coloca em currais para engorda com grãos. Isso não é o mesmo que dizer que o animal nunca se alimentou de pasto. Ou se um produtor deixa o animal no pasto por um ano ou mais e, então, por poucos meses, o coloca em confinamento alimentado com grãos. Isso é mais ou menos um animal criado a pasto?

Devido a essa confusão, Dana Ehrlich, diretora e co-fundadora da Verde Farms, fornecedora de carne de Woburn, Massachusetts, disse que em breve estarão oferecendo duas novas “variedades de carne a pasto com preços mais modestos” em maio, em que algumas de suas carnes serão de animais que receberam grãos como suplemento em sua dieta.

“Normalmente, durante os meses de inverno, quando o pasto cresce mais lentamente”, disse Ehrlich, acrescentando que o rótulo será claro se qualquer animal tiver recebido suplemento de grãos. Ele disse também que nenhum de seus animais são confinados.

Há uma boa razão para que os consumidores busquem produtos produzidos a pasto. É um produto mais saudável para humanos, de acordo com vários nutricionistas, incluindo Rene Ficek, nutricionista registrada que também é líder em nutrição ao Seattle Sutton’s Healthy Eating.

“Quando comparado com outros tipos de carne bovina, a carne de animais criados a pasto tem menos gorduras totais, mais ácidos graxos ômega 3, saudáveis para o coração, mais ácido linoleico conjugado (CLA) e mais vitaminas antioxidantes, como a vitamina E”, disse Ficek.

E há uma boa razão para as companhias fornecerem produtos de animais criados a pasto. É o fato financeiro, é claro. Permitir que animais circulem livremente em pastagens verdes ajuda a companhia a se manter no verde.

Matt Steiman, gerente assistente da Dickinson College Farm, fazenda de produção orgânica certificada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) com um programa de educação que produz animais orgânicos e a pasto para a Faculdade Dickinson e áreas ao redor de Carlisle, Pensilvânia, concorda que é melhor para os animais se eles tiverem permissão de ficar livres, que é mais saudável para os consumidores e ele disse que é melhor para o meio-ambiente. “Criar animais a pastor requer menos energia do que criá-los em confinamento”.

Mas uma importante razão pela qual as companhias de alimentos estão felizes de colocar que o produto é produzido a pasto é que as pessoas pagam mais por eles, disse ele. “Nossos clientes pagam mais pela nossa carne do que pagariam por produtos convencionais. Nosso corte mais caro de carne bovina é o filé mignon. Somente nesse final de semana, vendi 1,36 quilos de filé mignon por US$ 60”.

Fonte: Forbes, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint em 31/05/16


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