Orgânicos são vendidos a preço justo em nova loja no centro de São Paulo 


Mais uma iniciativa no setor de orgânicos chega a São Paulo para provar, de vez, que esses alimentos não são necessariamente caros. O que fica caro é o adicional que o varejo impõe aos produtos sustentáveis, afastando boa parte dos consumidores das gôndolas onde eles ficam expostos.

O Instituto Feira Livre, após arrecadar cerca de R$ 45 mil em um crowdfunding, montou em pleno centro de São Paulo mais um ponto de comercialização de alimentos orgânicos e certificados a preço justo, com apenas um adicional sobre o custo de produção. A fórmula utilizada na cobrança é “custo do produtor + contribuição sugerida = preço justo”.

O galpão abriu ao público no domingo passado, na Rua Major Sertório, 229, muito perto da estação República do metrô, do Edifício Copan, do Sesc Consolação, da Praça Roosevelt e outros points em pleno centro de Sampa. O ponto de venda do Feira Livre vem se juntar a outra iniciativa importante no centro paulistano em relação a orgânicos: a loja Armazém do Campo, onde produtos da agricultura orgânica e familiar provenientes de assentamentos do Movimento dos Sem-Terra (MST) são comercializados (Alameda Eduardo Prado, 499, Campos Elíseos – próximo à estação Marechal Deodoro do metrô).

Uma das associadas e idealizadoras do Instituto Feira Livre, Karina Alves Nishioka, conta que o grupo – atualmente com dez pessoas – se inspirou no Instituto Chão, que funciona  há cerca de dois anos na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo. “O pessoal do Chão nos ajudou bastante a criar o modelo de negócio, inclusive nos repassando o cadastro dos produtores orgânicos fornecedores”, conta Karina.

Atualmente, há uma lista de 150 potenciais fornecedores, sendo que o Feira Livre já tem produtos de 58 deles no galpão. Por ali se vende uma boa variedade de frutas, legumes e hortaliças orgânicas, além de laticínios (queijos, iogurtes, manteiga, etc.), bebidas naturais e alcoólicas (incluindo vodka orgânica!), grãos, farinhas e cereais a granel, cafés, pães de fermentação natural, entre outros artigos. De brinde, foi instalado um café que serve expresso orgânico, pães e bolos – todos produzidos com ingredientes agroecológicos.

O preço? “É bem baixo, praticamente o de custo, porque o objetivo não é ter lucro. Os custos da loja, como salários, material de higiene e limpeza, contas de energia e água, são pagos com a contribuição que cada um dá sobre as compras”, explica Karina. Ela informa que o adicional sugerido é de 35% sobre o valor de cada artigo. “Embora este valor adicional não seja obrigatório, a maior parte do pessoal contribuiu até agora”, diz Karina. “Tivemos pouquíssimas pessoas que não aceitaram. Quanto às que ficaram em dúvida, explicamos a proposta, de estímulo à produção e venda de alimentos orgânicos a preço justo, e elas acabaram contribuindo”, comentou.

A ideia, porém, é que, com o dia a dia se chegue a uma porcentagem mais bem definida. “Por enquanto, os 35% são uma estimativa. Este número pode mudar”, explica ela, acrescentando que quem tem o hábito de consumir alimentos orgânicos “fica impressionado” com os valores do Feira Livre. “No nosso café, por exemplo, um pedaço de bolo de cenoura orgânico custa R$ 3; o café expresso orgânico é R$ 1,80.”

Todos os produtos vendidos ali são orgânicos, preferencialmente da agricultura familiar, e o objetivo, conforme Karina, é estimular também agricultores convencionais a aderirem a práticas agroecológicas de cultivo. “A intenção é que, aos poucos, a gente vá ampliando o portfólio de fornecedores até chegar àqueles em processo de transição, como um estímulo. Queremos, inclusive, ajudá-los nisso”, comenta.

ONDE É E QUANDO ABRE

O galpão de orgânicos do Instituto Feira Livre fica na Rua Major Sertório, 229, e funciona neste mês de dezembro de terça a sexta-feira, das 8h às 19h. Aos sábados e domingos, das 9h às 15h. No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, estará aberto.

 Fonte:Estadao pr Tânia Rabello em 08/12/2017


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