RS quer lei para certificar orgânicos

Conforme a SAA, Estado pode ser o primeiro no país a regulamentar lei para produtos não-transgênicos t O Estado quer tornar-se o primeiro estado brasileiro a regulamentar uma lei de certificação de produtos orgânicos. A afirmação é do secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, durante o seminário Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação, promovido ontem pela SAA e o BRDE. Segundo o secretário, existem duas certificadoras em atividade no Estado: a francesa Ecocert, que atesta o produto da Cotrimaio; e a norte-americana Genetic ID, que possui convênio com a Emater. A certificação da produção orgânica é importante, na avaliação de Hoffmann, devido à restição do mercado europeu à importação de produtos transgênicos. Alerta, no entanto, para a possibilidade de aumento nos preços. 'A necessidade da certificação torna a comida mais cara. A população de baixa renda deverá ficar mais distante dos alimentos limpos.'

O presidente da Ocergs, Vicente Bogo, palestrante no seminário, avaliou a necessidade de os contratos terem duração mínima de cinco anos, a fim de justificar os investimentos nos processos de certificação e logística. A representante da ONG Urgewald (Campanha de Salvação das Florestas Tropicais), da Alemanha, Barbara Happe, afirmou durante o evento que um comércio justo de soja orgânica requer que sejam evitados o uso de sementes modificadas, a importação da oleaginosa cultivada em áreas nativas, o plantio em monocultura e o envolvimento por parte de cooperativas e produtores em conflitos de terra, além de limitar o uso de pesticidas. Nos últimos dez anos a colheita de soja cresceu 50% no mundo, o que gera impacto negativo principalmente para o terceiro mundo, onde grandes áreas são desmatadas, visando o cultivo para exportação.

O coordenador da União Nacional de Grupos de Solidariedade ao Brasil, Wolfgang Hees, disse que é preciso melhorar a imagem da soja gaúcha no mercado internacional. 'Deve-se diferenciar a soja do Sul e do Norte do Brasil. Há um movimento forte na Alemanha para evitar a importação de países onde há conflitos de terra, o que acontece bem menos no Estado.' Hees reiterou que há possibilidade de o RS produzir e exportar óleo de soja orgânica para a Alemanha, em função do grande número de moinhos ociosos no Estado.
O governo alemão pretende que até 2005 o mercado do produto orgânico corresponda a 20% do total contra os atuais 8%. O adicional pago pela soja certificada na Alemanha é de até 11 dólares a tonelada. Em março, o 13º Fórum Nacional da Soja reúne novamente os participantes do seminário, que visitarão lavouras gaúchas de soja.  

Fonte: Correio do Povo, Porto Alegre em 30-01-2002

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