PRODUTOS ORGÂNICOS CONQUISTAM NOVOS CONSUMIDORES NO RIO

O mercado de produtos orgânicos cresce, em média, 30% ao ano no Brasil. Em todo o mundo, a venda de alimentos produzidos sem produtos químicos nem pesticidas movimenta algo em torno de US$ 24 bilhões. A demanda por esse tipo de produto revela a crescente preocupação do consumidor com a saúde e a proteção do meio ambiente. O Rio de Janeiro é um dos principais mercados do País para os orgânicos.

Grandes redes de supermercados como o Zona Sul dedicam cada vez mais espaço nas gôndolas a alimentos produzidos sem agrotóxicos. “A cada ano, o volume de frutas, verduras e legumes orgânicos comercializados pela rede cresce cerca de 38%”, calcula Pietrangelo Leta, do Zona Sul.

Ele acrescenta que a demanda por produtos de mercearia e perecíveis como carnes e queijos de origem orgânica também está em alta, apesar de custarem de 20 a 30% mais caro do que os convencionais. Os fornecedores são pequenos e médios produtores do Rio, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

"Em alguns casos, a demanda é maior do que a oferta, já que muitos pequenos produtores ainda não têm a certificação necessária", comenta Leta. Obter a certificação dos produtos, aliás, é o ponto mais importante para os produtores que desejarem fornecer para grandes empresas.

Certificação

A certificação é necessária para verificar a procedência dos alimentos orgânicos. Existem dez certificadoras nacionais e internacionais operando no Brasil. “A Associação de Produtores Biológicos do Rio de Janeiro (Abio) é uma das mais antigas e tem cerca de 200 associados”, informa Clarissa Tagushi, da Cia Ecológica, empresa que comercializa orgânicos no Rio.

Tagushi organiza feiras semanais de orgânicos nos bairros do Grajaú e Jardim Guanabara, na Zona Norte. A demanda cresce a cada ano. “A cor e o sabor das frutas, legumes e verduras cultivadas organicamente são bem mais acentuados e duram mais”, justifica ela. Os produtos comercializados pela Cia Ecológica vêm, principalmente, de pequenas propriedades na região serrana do Rio.

Natural

Além das grandes redes de lojas de produtos naturais, como a Mundo Verde, pequenos negócios de bairro também estão explorando o filão dos orgânicos. É o caso da Louro Verde, no bairro do Humaitá, Zona Sul do Rio. “Temos uma clientela fixa mesmo vendendo produtos mais caros”, comemora o gerente Flávio Arraes. Um quilo de arroz orgânico pode custar R$ 6,40, dependendo da época do ano.

“Não me importo de pagar mais caro por um produto que não tem química e que não agride o meio ambiente”, observa a arquiteta Bia Vasconcelos, que compra boa parte do suprimento do mês na Louro Verde.

Produção sustentável

Agricultura orgânica é uma forma sustentável de produção. Promove e estimula a biodiversidade, os ciclos biológicos e a atividade biológica do solo. Baseia-se no uso mínimo de insumos externos e em métodos que recuperam, mantêm e promovem a harmonia ecológica.

Segundo um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Brasil tinha em 2002 cerca de sete mil produtores certificados. Somando-se a esses os que não buscaram certificação, estima-se que sejam 13 mil produtores de orgânicos, responsáveis por menos de 1% dos alimentos produzidos no País.

Biofach

Com o apoio do Sebrae no Rio de Janeiro, 11 empresas fluminenses vão participar da Biofach , de 24 a 27 de fevereiro, na cidade alemã de Nuremberg. Realizada na Alemanha desde 1999, a Biofach é considerada a maior feira do setor. Empresas de outros dez estados também vão participar do evento.

A primeira versão brasileira aconteceu em 2003. Em razão do sucesso, despertou o interesse dos demais países latino-americanos, que em 2004 realizaram o evento novamente no Brasil, desta vez com o título de Biofach-América Latina. A próxima edição será em novembro, no Rio de Janeiro.

Serviço

Sebrae no Rio (21) 2215-9200

Carlos Magno Almeida

Fonte: Agência Sebrae de Notícias em 10-02-2005

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