As plantações que dão lucro sem pesticidas

Ana Wambier

Os produtores nacionais de alimentos estão descobrindo agora o que a geração de seus avós já sabia: que o plantio de produtos orgânicos (cultivados sem defensivos agrícolas) é economicamente viável e pode ser lucrativo. Tanto que foi organizada no Rio uma das mais importantes feiras internacionais sobre o tema, a BioFach, que reuniu ontem, no Hotel Glória, agricultores, comerciantes e distribuidores.

Nos estandes, foram exibidos os mais diferentes produtos, como o suco de trigo congelado (desenvolvido pela Clorophila) e o chocolate de cacau orgânico (do grupo Cabruca, da Bahia).

O comércio de produtos orgânicos movimenta hoje no Brasil perto de R$ 250 milhões por ano. Muito pouco ainda, segundo investidores. No mundo, o valor está em torno de US$ 25 bilhões. Há um público crescente para o consumo de produtos orgânicos, mas o brasileiro ainda não aderiu de corpo e alma a essa filosofia.

Segundo o agricultor Luiz Bueno, o custo dos produtos orgânicos não é mais alto do que o dos convencionais. No entanto, nos supermercados, os preços costumam disparar:

- Criou-se um mito em torno de um nome (produto orgânico) para agregar valor a essas mercadorias.


Ele conta, por exemplo, que o custo da produção da cebola orgânica cultivada em sua propriedade é de R$ 0,40 o quilo. Na feira, ela é vendida a R$ 0,70. Já nos supermercados, o preço sobe para R$ 2,50.


O ator Marcos Palmeira, que produz organicamente legumes e verduras, disse que o governo poderia criar incentivos para que os pequenos agricultores vendam os produtos em suas próprias regiões:

- Esse tipo de agricultor não tem que produzir para exportar, não tem que vender para supermercados, mas para pequenos comerciantes, que podem cobrar preços justos.

fonte: Jornal O Globo - 26/09/03

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