Cultivo orgânico aumenta em SP mas ainda falta conscientização

Primeira pesquisa no setor aponta setor promissor mas, por enquanto, comercialização é difícil

Pesquisa realizada pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) mostra os primeiros números da área cultivada em sistema de produção orgânica em São Paulo. Embora o levantamento utilize dados colhidos em 2004, o estudo é apontado pelos pesquisadores do Instituto como um bom panorama do setor no Estado, em um nicho de mercado onde o Brasil cresce anualmente o dobro da média mundial e possui 87,0% das novas áreas agricultáveis de orgânicos do mundo.

O levantamento aponta como os principais produtos cultivado no sistema orgânico: cana-de-açúcar, café e hortaliças (confira abaixo). Na pesquisa, Bauru aparece como a 22 região em área de cultivo de orgânicos, com 12,73 hectares. A líder no ranking, Andradina, têm 6,9 mil hectares.

“Hoje Bauru produz café, hortaliças, legumes, raízes, nim (planta de origem indiana), bucha, ervas medicinais e ovos no sistema orgânico”, aponta o presidente da Aprocop (Associação dos Produtores Rurais Orgânicos do Centro Oeste Paulista), Samuel Gomes.

De acordo com ele, o setor ainda enfrenta dificuldades no momento de comercializar seus produtos. “É nosso gargalo. Para não perder a produção, muitos agricultores vendem sua mercadoria no mesmo patamar de preço das produzidas no sistema convencional”, aponta o produtor.

Cana-de-açúcar lidera

Pelo levantamento da Secretaria da Agricultura, a cana-de-açúcar é a cultura líder entre os orgânicos em área cultivada no Estado. São 7,4 mil mil hectares reservados ao plantio da cana, que produzem 202,42 mil toneladas.

“O plantio de cana orgânica é puxado pela produção de açúcar orgânico”, explica o presidente da Aprocop. O café é a segunda cultura com maior área de plantio (944 hectares), seguido da laranja (425 hectares) e alface (190 hectares).

Sistema de produção

Um produto orgânico é muito mais que um produto sem agrotóxicos e aditivos químicos, apontam os produtores. “A produção é o resultado de um sistema agrícola que busca o manejo equilibrado do solo e dos demais recursos naturais”, aponta o presidente da Aprocop.

Para ser considerada orgânica, a produção precisa receber o selo de uma certificadora credenciada. Os associados da Aprocop são referendados pelo Instituto Biodinâmico de Botucatu.

1/4/2006 Odersides Almeida

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