Tecnologia aproveita casca de coco verde e ajuda a despoluir praias e cidades (19/05/2004)

O crescimento agroindustrial, se por um lado é um vetor de desenvolvimento de um país, por outro contribui para o aumento da geração de resíduos sólidos, que muitas vezes podem criar um impacto negativo para o meio ambiente. Um dos exemplos é a água-de-coco verde, que vem despontando como um produto bastante promissor no mercado brasileiro, com crescimento de consumo estimado em 20% ao ano. Atualmente, o Brasil é líder mundial na produção de coco verde, com uma área equivalente a 57 mil hectares.

O problema, no entanto, é que esse aumento de consumo gera também, a cada ano, mais de 6,7 milhões de toneladas de casca de coco, transformando-se em um sério problema ambiental, principalmente para as grandes cidades. Só para se ter uma idéia, cerca de 70% do lixo gerado nas praias do Nordeste é composto por cascas de coco verde, material de difícil degradação e foco para proliferação de doenças, diminuindo a vida útil de aterros sanitários e lixões.

O aproveitamento da casca de coco verde vem sendo estudado há cinco anos pela Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza - CE), unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e pode se tornar uma prática ambientalmente sustentável. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Morsyleide de Freitas Rosa, é possível desenvolver diversos produtos derivados da casca de coco verde, inclusive substituindo o uso da samambaiaçu (mais conhecido como xaxim) na fabricação de vasos e substratos agrícolas para plantas. "A samambaiaçu está na lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, em razão da sua intensa exploração para fins e jardinagem e floricultura", explica Morsyleide.

Essa tecnologia foi uma das vencedoras do programa de competição global Development Marketplace, do Banco Mundial, que premiou 47 projetos, de um total de 2.726 propostas apresentadas por 133 países. O projeto prevê a instalação de um completo sistema de negócio, mediante a instalação de uma planta-piloto que envolve a coleta seletiva da casca de coco verde, a reciclagem dessa casca na fabricação de diversos produtos, a implantação de uma unidade de artesanato e a instalação de uma horta comunitária em uma comunidade de Fortaleza (CE). Essa planta-piloto vai fabricar produtos a partir do pó e das fibras extraídas da casca, e terá capacidade para processar 15 mil toneladas por ano. O pó será utilizado para a produção de substrato agrícola e composto orgânico e as fibras servirão de matéria-prima para a manufatura de vasos, tapetes e outros artefatos.

O projeto, que tem a parceria da Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo do Estado do Ceará, Sebrae e a Associação dos Barraqueiros da Beira Mar, vai receber US$ 245 mil do Banco Mundial e gerar cerca de 200 empregos diretos e indiretos na comunidade envolvida no processo produtivo.

O desenvolvimento do maquinário para o processamento foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Embrapa, em parceira com a iniciativa privada, e será exposto durante o Ciência para a Vida 2004, na Vitrine de Tecnologias da Embrapa. A estrutura básica consiste de uma máquina trituradora de coco (que utiliza facas rotativas em disco e faz o fatiamento da casca. Em seguida, passa por marteletes fixos (responsáveis pelo esmagamento do produto) e depois por uma prensa rotativa vertical, que retira todo o líquido por meio de prensagem. Finalmente, a máquina classificadora faz a separação entre pó e fibra, com a utilização de marteletes fixos helicoidais.

O Ciência para a Vida 2004 é promovido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Embrapa e tem como principal objetivo aproximar o público urbano dos resultados da pesquisa agropecuária, mostrando como o trabalho de institutos de pesquisa agropecuária melhoraram a qualidade dos alimentos e da vida da população brasileira. O evento reúne as 40 Unidades da Embrapa e empresas parceiras, como universidades, instituições estaduais, órgãos de fomento à pesquisa, governamentais e não governamentais, organismos internacionais e empresas públicas e privadas do Brasil e do exterior. A exposição é gratuita e aberta ao público de 10 às 22 horas, de 18 a 23 de maio, em frente à sede da Embrapa, localizada no Parque Estação Biológica, no final da W3 Norte e ao lado da Ponte do Bragueto.


Teresa Barroso (DRT 812CE JP)
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