Área de agricultura biológica quintuplicou em quatro anos

As áreas afectas à agricultura biológica na Madeira mais que quintuplicaram no espaço de apenas quatro anos. O número de agricultores que se dedicam a este tipo de agricultura também registou uma subida tendo praticamente duplicado neste mesmo período.

A crescente procura deste tipo de produtos pelos consumidores, a sua maior rentabilidade e o seu mais fácil escoamento, assim como a maior sensibilização dos agricultores para este tipo de culturas e suas potencialidades são algumas das razões que estão na base desta subida das áreas afectas à agricultura biológica.

A criação e o lançamento, em 1999, pela Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, de um grupo de trabalho denominado Missão para a Agricultura Biológica, com o objectivo de sensibilizar um número cada vez maior de agricultores para as potencialidades desta prática agrícola, também já está a dar frutos bastante visíveis. Desde 2000 e até ao presente ano registou-se um verdadeiro "boom" ao nível da afectação de áreas para agricultura biológica. Em 2000 somente vinte hectares estavam afectos a este tipo de agricultura. Actualmente as áreas onde são cultivados produtos biológicos ultrapassam os cem hectares.

O responsável pela Missão para a Agricultura Biológica, José Carlos Marques, explica que inicialmente a tarefa não foi fácil, mas aos poucos a receptividade e adesão dos agricultores madeirenses a este tipo de agricultura tem vindo a aumentar gradualmente, muito devido ao aumento de rentabilidade e das condições de produção proporcionadas.

Actualmente estão já criadas infra-estruturas que possibilitam dar aos agricultores todas as condições necessárias para aderirem a esta prática agrícola. «Neste momento, temos uma central de compostagem para fornecer composto aos agricultores, como o bagaço de cana e os desperdícios dos jardins do Funchal que são transformados. Temos também um viveiro onde desenvolvemos as plantas que são fornecidas aos agricultores, enfim criaram-se uma série de condições para que quando os agricultores aderissem tivessem a sua vida facilitada».

Criadas estas condições, foi uma questão de tempo para que os agricultores começassem a aderir a este tipo de agricultura. E, neste momento, diz, «a adesão é cada vez mais forte porque quando um agricultor começa a ver os seus vizinhos a venderem os seus produtos ao dobro do preço e sem problemas de escoamento começa a pensar e acaba por aderir».
Além do aumento da rentabilidade, a Madeira proporciona também boas condições para as culturas biológicas porque «nunca enveredou por agricultura química intensiva».

No que diz respeito à procura deste tipo de produtos, esta tem vindo a registar aumentos bastante significativos, o que tem também facilitado o avanço da agricultura biológica madeirense. «Existem muitas empresas que começam a ver nisto enormes potencialidades de negócio. Por outro lado, a própria comunidade começa a apertar o cerco e a limitar os agricultores ao nível da aplicação de químicos». A tudo isto há ainda a acrescentar o crescimento do mercado. «O que estamos a fazer vai permitir que os nossos agricultores apanhem primeiro o mercado».

Paralelamente à agricultura biológica, onde já produzimos inúmeros produtos como, por exemplo, banana, legumes de toda a espécie, limão, batata, frutas tradicionais cuja produção tinha sido abandonada e, muito brevemente, castanhas, a Madeira começa também a dar os primeiros passos ao nível da produção de carnes biológicas, nomeadamente carne de bovino e aves.

Para breve está também previsto o arranque de um outro projecto de produção de ervas aromáticas biológicas.
Face a este avanço das culturas biológicas, Carlos Alberto não tem quaisquer dúvidas de que este tipo de cultivo tem um grande futuro, nomeadamente para a bananicultura. «Até aqui houve uma consolidação do mercado e foram feitas as primeiras experiências. A partir daqui tudo será diferente porque já existem empresas, capital e uma dinâmica instalada que vai permitir dar um salto grande nos próximos anos».

Tal como o responsável pela Missão da Agricultura Biológica, também o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais realça a alta rentabilidade desta prática, as suas potencialidades futuras e importância para o futuro do sector agrícola regional.

«A aposta na agricultura biológica é estratégica para nós e decisiva para o futuro da agricultura da Madeira», diz, acrescentando que «não há dúvida que existe aqui um nicho de mercado que constitui uma excelente oportunidade para a agricultura madeirenses, porque pode transformar as nossas fragilidades tradicionais, nomeadamente a sua pequenez, numa grande oportunidade». Isto porque, explica Manuel António Correia, «essa pequenez gera uma personalização e uma forma especial de fazer agricultura face às grandes potências mundiais onde essa agricultura se faz de forma intensiva com o objectivo de se produzir o máximo no mais curto espaço de tempo».

Para além da «potencialização destas características especiais, a agricultura biológica aumenta a capacidade de penetração da agricultura madeirense no mercado e o rendimento dos agricultores, pois é destinada a um nicho de mercado onde a questão do preço não é questão fundamental, mas sim a qualidade».

Manuel António Correia salienta ainda que «aquilo que é hoje um nicho vai tornar-se vulgar, isto é, mais cedo ou mais tarde, especialmente no âmbito da UE, por exigência dos consumidores e por razões de segurança alimentar, todas os requisitos da agricultura biológica vão generalizar-se». Daí entender que a aposta neste tipo de agricultura significa que «estamos a criar condições de produtividade para o futuro».

É pois por estas razões que o Governo «tem feito um esforço muito grande neste tipo de agricultura» e criou a denominada Missão para a Agricultura Biológica, a qual «tem feito um trabalho excepcional» e tentado «generalizar este tipo de agricultura».

fonte: net-pt por Óscar Branco <[email protected]>

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