Mercado orgânico deve gerar R$ 4 bilhões em 2018


 

Gabriel Bosa

23/08/18 - 09h00 - Atualizado em 23/08/18 - 11h35
O valor diferenciado e as restrições de mercado não impendem o crescimento da cadeia nacional de gêneros orgânicos. A projeção do Conselho Nacional da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) é um faturamento de R$ 4 bilhões no Brasil em 2018 e a continuidade do crescimento de 25% ao ano registrado desde 2015.

Segundo o diretor da entidade, Ming Liu, os cálculos são baseados na elevação das exportações, o surgimento de novas empresas e a variedade de produtos lançados periodicamente. “O consumidor está procurando uma alimentação mais saudável, e dentro desse leque tem os produtos orgânicos, naturais e funcionais”, explica.

A expansão do mercado é comprovada com o aumento das feiras promovidas pela Associação de Agricultura Orgânica (AAO) na cidade de São Paulo.

Na primeira edição, no Parque da Água Branca, em 1991, eram 11 produtores envolvidos. Atualmente, a entidade promove seis eventos semanais na cidade, reunindo mais de 300 famílias de agricultores e somando 5 mil visitantes ao mês.

“Nós vemos que o público está cada vez mais jovem, com muitos casais levando seus filhos”, afirma o secretário-executivo da entidade, Márcio Stanziani. Para ele, o cuidado com o bem-estar é o principal impulsionador do mercado.

“Cada vez mais as pessoas estão preocupadas com a sua saúde e com a da sua família. Além disso, percebemos também o aumento pelas questões de sustentabilidade e a preservação da natureza”, complementa.

Preço elevado espanta consumidores

A mesma pesquisa da Organis revelou que o preço dos gêneros orgânicos é o principal entrave para o incremento das vendas: 62% dos entrevistados afirmaram que aumentariam a demanda se os valores fossem mais acessíveis, enquanto 41% não consumiram nenhum produto pelo custo.

O secretário-executivo da AAO justifica uma série de fatores para a prática acima dos valores convencionais, passando pela a falta de assistência técnica aos trabalhadores, o baixo investimento dos órgãos públicos e o desinteresse das novas gerações na atividade rural.

“A agricultura convencional é subsidiada pelo governo, a orgânica não. Nas faculdades, também quase não se fala em produção orgânica. Então temos pouca assistência técnica”, diz Stanziani. Ele ainda ressalta que a produção sem defensores químicos e a baixa mecanização no cultivo orgânico pesam no valor final.

O trabalho quase manual também é apontado por Liu para o valor diferenciado. “O produto orgânico sempre foi conhecido por ser um produto caro, mas o canal de acesso via feiras e entrega em domicílio acaba diminuindo essa ideia de que é um produto para a elite”, afirma.

Falta de preparação frustra vendas online

A venda online, cada vez mais popular em diversos nichos de mercado, ainda tem peso irrisório no comércio de produtos orgânicos. A pesquisa da Organis afirmou que apenas 1% do comércio é feito pelas plataformas digitais.

Apesar de forma ainda tímida, o contato via internet está gradativamente crescendo, afirma o sócio-diretor do site Guia de Orgânicos, Ricardo Muza. A plataforma oferta centenas de produtos do segmento, desde alimentos e bebidas até vasos e demais utensílios.

“Neste primeiro ano de atividades nos percebemos uma aumento entre 25% e 35% nas vendas”, afirma.

Para ele, a falta de estrutura e conhecimento dos novos empreendedores são os principais entraves para popularizar a plataforma de comercialização.

“Muitos lojistas não têm percepção de ofertas para atrair os clientes, mas existe muito potencial para crescer. É preciso variar, apresentar promoções e sempre trazer coisas novas”, diz Muza.

Crescimento cria novas oportunidades

O otimismo das projeções de curto e médio prazo está fazendo com que empresas focadas exclusivamente em exportações tornem suas atenções ao mercado interno.

Há quase duas décadas a Triunfo do Brasil, produtora de extrato de chá mate, com sede em São João do Triunfo (PR), à 130 quilômetros de Curitiba, negocia no mercado internacional.

Com a crescente demanda doméstica, a indústria está desenvolvendo um novo pólo de produção. A previsão é começar atender ao mercado doméstico em até dois anos.

“Os orgânicos já estão consolidados lá fora, principalmente nos EUA, e é uma tendência cada vez mais presente no Brasil”, afirma Marcelo Oikawa, gerente comercial da Triunfo do Brasil.

Segundo ele, a procura por empresas nacionais interessadas em produzir o chá de mate orgânico teve aumento nos últimos três anos. “Elas querem transformar o chá mate em mate orgânico para agregar um valor maior ao produto”,

Fonte:Isto é Dinheiro em 2018

Leia Mais:

SIGA NOS