? Produto orgânico chega às lavouras do Sul de MT

Produto orgânico chega às lavouras do Sul de MT


Em meio à plantação de grãos, além do combate às doenças, os produtores têm que se preocupar com o controle de pragas para que não haja infestação nas lavouras. Junto aos inseticidas industriais, uma alternativa orgânica no combate às pragas tem abocanhado parte do mercado de defensivos agrícolas. Na região Sul, o inseticida Matan, à base de ervas naturais do Cerrado brasileiro, já se destaca nas plantações da Serra da Petrovina, a cerca de 60 quilômetros de Rondonópolis. 

O inseticida orgânico Matan, patenteado pelo pesquisador Francisco Barbosa, de Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá), se apresenta como uma alternativa no mercado de defensivos agrícolas no Sul do Estado, especialmente no que concerne ao combate de pragas nas plantações de soja, milho, algodão e hortaliças. Como é sabido, as pragas podem atacar as plantações desde a fase vegetativa até o ponto de maturação para colheita. 

O desenvolvimento da pesquisa ocorreu em função de o mercado de inseticidas ser majoritariamente estabelecido por produtos industrializados, com alto volume de toxidade. O inseticida orgânico vem ao encontro da necessidade de uma produção com o uso reduzido de agrotóxicos, garantindo, inclusive, ao produtor a mesma rentabilidade nas lavouras. 

Dados do projeto indicam que pelo menos 60% das plantações podem receber aplicações do inseticida orgânico. No entanto, Barbosa acredita que estudos devem proporcionar ao restante das plantações tamanha eficiência no combate às pragas ao longo dos próximos anos. Nas culturas de algodão, soja e milho, o defensivo orgânico tem servido no combate às lagartas. Segundo o pesquisador, parte delas já tem produzido resistência a alguns inseticidas industriais. 

“Ou as lagartas estão pegando resistência ou os inseticidas estão perdendo eficiência”, alerta. “Isso causa um desequilíbrio na natureza”, completa. No caso das hortaliças, o Matan combate especialmente as brocas e moscas-brancas, responsáveis pela perda significativa das plantações quando não percebidas a tempo. “Nessas quatro culturas estamos acelerando a venda do produto”, diz. 

A aplicação do inseticida varia de acordo com a lavoura. No caso do milho e do algodão, a aplicação é feita com 500 mililitros (ml) de Matan para cada hectare, somado à solução de outros inseticidas. A soja precisa de apenas 300 ml/hectare. As hortaliças, por apresentarem uma produção mais frágil, necessitam de apenas 200ml/hectare. 

Barbosa comercializa o inseticida orgânico por meio de galões de 20 litros e afirma que os produtores economizam 50% nos investimentos com defensivos agrícolas. Segundo ele, o custo de produção, ao todo, sofre uma redução de até 40% por causa do controle das pragas. A eficiência do produto tem sido mostrada em áreas experimentais nas lavouras dos produtores. 

A ação do inseticida, somada ao acompanhamento técnico, tem conseguido convencer os produtores rurais da mudança de hábito e investimento relativos aos defensivos agrícolas. O comparativo também é feito durante os intervalos das aplicações. Segundo Barbosa, o defensivo orgânico permite mais seguridade junto às lavouras, uma vez que a ação é mais lenta. Por isso, enquanto os inseticidas industriais podem ser aplicados a cada 10 dias, o Matan pode ser inserido a cada 15 dias. 

O pesquisador acredita em uma tendência mundial do uso de recursos orgânicos nas lavouras a fim de não prejudicar a saúde humana no consumo de produtos com alto índice de toxidade. Por enquanto, no entanto, faltam incentivos junto às instituições de pesquisa no desenvolvimento de produtos que afetem menos à saúde humana através da alimentação. “O consumidor precisa de uma alimentação saudável”, argumenta. 

Fonte:Diário de Cuiaba em 06-01-2007


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