Fazenda na Zona da Mata mineira aposta no leite orgânico


JUIZ DE FORA - Para a proprietária da Fazenda Salvaterra, Mônica Velloso, a opção pela produção orgânica de leite passa não só pela qualidade do produto mas também pela responsabilidade social. “Pensamos antes de tudo no bem-estar dos animais, no compromisso com a terra e nas condições de trabalho dos funcionários”.

Para obter a certificação de produto orgânico, ou seja, que procura produzir utilizando o mínimo de insumos químicos, como agrotóxicos e hormônios, valorizando a alimentação natural e a harmonia com o meio ambiente, é preciso seguir regras sobre as condições de trabalho dos funcionários, a saúde do animal e a sustentabilidade ecológica da fazenda.

Na Salvaterra são produzidos cerca de 100 litros de leite orgânico por dia. Uma média baixa para as 20 vacas mantidas lá. Se na produção convencional cada animal produz cerca de 15 a 20 litros por dia, na orgânica esse número fica entre 8 e 10 litros. O preço do produto, que chega a ser o dobro do leite comum, é que compensa a diminuição da produtividade.

Nos supermercados de Belo Horizonte, onde aumenta o interesse pelos orgânicos, a diferença de preços entre esses alimentos e os outros chega a mais de 390% de acordo com levantamento do site Mercado Mineiro (www.mercadomineiro.com.br). “Além do preço mais alto, o produtor também ganha na diminuição dos custos com remédios, por exemplo”, explica Mônica Velloso.

O investimento inicial é grande, porque é preciso refazer toda a pastagem. Ao invés da grama conhecida dos fazendeiros chamada de braquiara, deve ser preparado um pasto que alterne alguns tipos de vegetação, incluindo árvores e leguminosas. Como não é dada ração aos animais, é no pasto que eles precisam encontrar todos os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento.

Nos cinco anos de transição até a certificação, a Salvaterra investiu cerca de R$1 milhão. Além de leite também são produzidos de forma orgânica café, frango e hortaliças. “As criações e cultivos se complementam. O frango é criado solto no meio do café, porque ele não come o café e ajuda a controlar as ervas que podem atrapalhar a plantação”, conta Mônica.

Dados preliminares de um levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) indicam que há mercado para o produto. Estima-se que o mercado orgânico brasileiro movimente, hoje, algo em torno de US$ 120 milhões por ano e a projeção para 2010, de acordo com a Associação de Agricultura Orgânica (AAO) é de U$ 1,6 bilhão. Atualmente, o leite orgânico não representa nem 1% da produção nacional de leite.

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