Algodão orgânico ainda é novidade

Para algumas pessoas, a roupa pode funcionar como um remédio. Elas vestem produtos feitos de algodão orgânico, coloridos através de alterações genéticas ou com o uso de pigmentos naturais, por que sabem que, além de evitar danos ao meio ambiente, fazem bem à saúde.

É o que garante Guilherme Parise, gerente da Éden Organic em São Paulo. Na loja, os clientes geralmente tem mais de 25 anos e se preocupam com os danos que os produtos químicos podem causar. "A proposta da Éden é mostrar que dá para fazer produtos de moda com matéria prima orgânica. Visivelmente só dá para perceber que a roupa é de material orgânico pelas cores, que são mais fracas e naturais, mas um produto 100% algodão pode se sentir no toque, por que é muito mais gostoso de vestir", revela.

A fabricação das coleções da Éden é feita pela YD Confecções, que já comprou várias vezes algodão orgânico do Paraná. O estado já bateu recorde de produção do algodão convencional no início dos anos 90, quando a plantação atingia 700 mil hectares. Em 2007 o número caiu para 12 mil hectares e, na safra 2010, não passa de 65, produzindo apenas 140 toneladas.

Segundo Marcelo Garrido Moreira, economista do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, o custo de produção fez cair o número de produtores do algodão convencional. "Com a evolução tecnológica se tornou mais barato implantar o maquinário em solos mais planos, como no Mato Grosso e Goiás. No Paraná, aos poucos, as plantações de algodão foram substituídas por soja e milho", afirma.

Do algodão orgânico, a plantação é ainda menor. São 18 hectares de monocultura nas mãos de 15 produtores, que colheram 36 toneladas neste ano em Paranavaí, Campo Mourão, Umuarama, Ibiporã e Maringá. De acordo com Iniberto Hamerschmidt, coordenador estadual de holericultura do Instituto Emater, a produção paranaense começou a pouco mais de cinco anos de forma tímida.

"Quando o agricultor muda de sistema, geralmente a produtividade diminui um pouco e o custo do orgânico fica um pouco superior ao convencional. Com o tempo o produtor melhora as condições do solo e ganha experiência no cultivo, aí começa a ter produtividade semelhante ou até melhor do que na plantação do convencional", explica. Na prática, o custo do orgânico é quase 40% mais alto que do algodão convencional, mas ainda assim tem demanda crescente por parte da indústria de vestuário

Demanda

Um levantamento da organização Organic Exchange garante que a procura pelo algodão orgânico aumentou 93% entre 2000 e 2005. Neste período, 79% da produção veio da Turquia, Índia, Estados Unidos e China, e a América do Sul representou apenas 1,7% da produção mundial.

No Brasil, a maior parte das certificações para garantir a procedência do produto orgânico é concedida pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD). Produtores e processadores são inspecionados e só obtém a certificação se conseguirem desintoxicar o solo, não utilizar adubos químicos e agrotóxicos e seguir as normas do Código Florestal Brasileiro, respeitando as normas trabalhistas.

A região nordeste do País, ano passado, foi responsável por 85% da produção nacional de algodão orgânico em 622 hectares de plantação. Lá o cultivo de algodão é consorciado com culturas como milho e feijão, mas ainda assim é crescente e espalhado por várias cidades. Em 2010 a colheita ainda não acabou, mas no Ceará já passou de cinco toneladas e no Piauí chegou a seis.

Fonte: Paraná Online em 10/10/2010

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