Mulheres são 72% na compra de orgânicos no DF

Cultivados em sistema livre de agrotóxicos e aditivos químicos, os alimentos orgânicos atraem consumidores em busca de uma vida saudável. E esse público é formado, principalmente, por pessoas com renda familiar acima de R$ 5 mil e nível educacional superior, universo em que as mulheres predominam.

Os dados fazem parte de um estudo realizado na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV), da Universidade de Brasília (UnB), com 400 consumidores em sete pontos de venda no Distrito Federal, entre eles, as feiras orgânicas, a Ceasa e um supermercado de grande porte. O trabalho foi coordenado pela professora Ana Maria Resende Junqueira.

Ao visitar os locais, a presença maciça do público feminino é facilmente notada. De acordo com o engenheiro agrônomo Maurício Junio Gomes, que auxiliou a pesquisa e utilizou essas informações para compor sua monografia de final de curso, o índice é explicado pelos papéis sociais. "Geralmente, é a mulher que faz a compra de alimentos. Mesmo quando encontrávamos casais, os homens pediam que elas fossem ouvidas", diz.

RENDA

Outra característica marcante desse grupo é o alto poder aquisitivo. Dos entrevistados, 59% declararam ter renda familiar acima de R$ 5 mil. Se esse percentual for somado com o grupo que vem logo em seguida, compreendida entre R$ 3,5 mil e R$ 5 mil, chega-se a um quantitativo de 77%.

Aliado ao nível econômico está a escolaridade, também elevada. A pesquisa revela que 77% dos participantes concluíram algum curso universitário e, em termos absolutos, 27% já tinham feito uma pós-graduação. Completando os fatores renda e instrução está a idade: 46% têm mais de 41 anos.

Segundo a professora Ana Maria, o consumo de orgânicos é típico do público que ultrapassou o nível socioeconômico mínimo para efetuar as compras de itens básicos e tem condições suficientes para escolher entre os produtos que reúnem mais atributos de qualidade. "Eles estão com a vida estabelecida, têm filhos e procuram uma alimentação mais saudável para a família", diz.

MOTIVOS

Quando perguntados sobre os motivos que os levam a adquirir os itens orgânicos, 88% apontaram a preocupação com a saúde. Isso porque o manejo das frutas e hortaliças cultivadas sob esse sistema, o mais próximo do natural possível, significa inexistência de resíduos de agrotóxicos usados para proteger as lavouras.

Apesar de esse modo de plantio ser sustentável e não agredir a natureza, uma vez que os agrotóxicos podem contaminar solos e cursos d´água, o fator cuidados com o meio ambiente apareceu em terceiro lugar, com 33% das citações.

Curiosamente, a equação entre as duas variáveis muda de acordo com a idade do consumidor. Os entrevistados acima de 61 anos conferem 92% de importância à preocupação com a saúde e 17% ao meio ambiente. Já os na faixa dos 20 anos, colocam, respectivamente, 50% e 50% para cada um.

Em relação ao hábito, o consumidor de orgânicos é fiel. Em 53% dos casos, compram esses alimentos há mais de quatro anos, e 11% entre três e quatro anos. Menos de 1% dos entrevistados estavam no local de venda pela primeira vez.

Para Gomes, os resultados ajudarão o produtor a ofertar serviços mais direcionados ao seu público. "Conhecer os consumidores, suas preferências e expectativas é um componente importante em qualquer estratégia para aproximação entre consumidor e produtor. E também para a melhoria contínua do produto", diz.

ALFACE É A HORTALIÇA MAIS VENDIDA

A sacola de quem vai a uma feira de produtos orgânicos certamente terá um pé de alface e, provavelmente, cenoura, rúcula, couve ou agrião. Esses são os cinco produtos mais comprados pelos consumidores.

Campeão de agrotóxicos em outras formas de cultivo, o tomate aparece em sexto lugar, enquanto o morango não figurou nem entre os 10 primeiros. O motivo está mais na falta de oferta que na procura. "No termo de dificuldade, a maioria reclamou de não encontrar tomate. Morango não havia porque estávamos na entressafra. Com agrotóxico se produz tudo sempre, mas no sistema orgânico, depende-se de fatores ambientais, praga e época", afirma Gomes.

PARA SABER MAIS

Maurício Junio Gomes graduou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade de Brasília (UnB).

Mulheres são 72% na compra de orgânicos no DF: Ana Maria Resende Junqueira
Créditos: Daiane Souza/UnB Agência Ana Maria Resende Junqueira é pós-doutora pela University of Queensland (Austrália) e doutora em Produção Vegetal pela University of Wales (Grã-Bretanha). Graduou-se em Engenharia Agronômica pela UnB.
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Fongd: UnB Agência por Marcelo Jatobá em /30/10/2008

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