Morango orgânico muda a fruticultura de Marialva


morango-marialvaProdução de Marialva se tornou vitrine para proprietários rurais de outras região que se interessam em investir na nova cultura

Produzido em estufa e com a adubação orgânica misturada à água, o morango semi-hidropônico produz o ano inteiro

Um grupo de 24 pequenos proprietários rurais de Moreira Sales, na região de Campo Mourão, esteve ontem em Marialva para conhecer a produção de morango pelo sistema semi-hidropônico, que já é sucesso entre produtores que até agora tinham a uva como principal alternativa. Além de se mostrar mais rentável do que a uva, a fruta produz o ano inteiro e possibilita ao produtor negociar diretamente com o consumidor.

Na quinta-feira, visitam os produtores estudantes do Colégio Nobel, de Maringá, e esta tem sido uma rotina em Marialva, com gente de várias regiões do Estado querendo conhecer a novidade. Foi assim que o morango semi-hidropônico chegou a Marialva: por iniciativa da Emater, um grupo foi ao Rio Grande do Sul ver como o morango estava mudando a vida de pequenos proprietários rurais da Serra Gaúcha e resolveram seguir o mesmo caminho.

Este é o primeiro ano que Marialva está colhendo o morango semi-hidropônico e, segundo o engenheiro agrônomo Nilson Zacarias Barnabé Ferreira, da Emater, não tem mais volta. “Com as incertezas que rondam cada safra de uva, o produtor de Marialva queria alternativas para diversificar a produção e o morango semi-hidropônico surge como uma excelente opção, primeiro porque não tomar muito espaço, possibilitando ganhar com o morango sem precisar deixar a produção de uva, que é o carro-chefe da agricultura familiar na região”.

Como os morangos amadurecem em poucos minutos, Adilson Gallo tem que colher várias vezes ao dia

Uma prova de que a nova cultura está dando certo é verificada na propriedade de Nelson Tamura, na Estrada Perobinha. Nos 5 alqueires, ele produz de tudo um pouco, como abóbora menina, chuchu e outros legumes, o carro-chefe da chácara são mesmo os 400 pés de uva. “Eu pensei em plantar morango para experimentar, mas já tripliquei a área da fruta”, conta. Primeiro ele construiu uma pequena estufa de 340 metros quadrados, mas, mal começou a colher e já construiu outras duas no mesmo tamanho. Como vende com facilidade toda a produção, Tamura já pensa em aumentar mais a área de morango semi-hidropônico. “Entre a construção das estufas, compra do sistema de irrigação, de bolsas plásticas e mudas, investi cerca de R$ 15 mil, mas logo nos primeiros meses de colheita já recuperei o investimento”.

Hoje, 22 pequenos proprietários de Marialva estão cultivando morango semi-hidropônico e até agora nenhum teve dificuldade em comercializar a produção. “Já rejeitei oferta de grandes redes de supermercados, que se propunham adquirir toda a produção, porque prefiro vender diretamente ao consumidor”, diz

Adilson Gallo, que planta uva há 30 anos e está satisfeito com o primeiro ano com o morango. Os R$ 15 mil que ele investiu para formar uma estufa de 1 mil metros quadrados, com sistema de irrigação, foram recuperados logo nos primeiros meses de colheita. Afinal, ele e a mulher Iolanda colhem uma média de 300 quilos por semana das variedades Monterrey, Albion e San Andreas. “Além do trabalho meu e da mulher, colhendo e montando caixinhas e bandejas para a venda, gastamos em torno de R$ 500 por mês com os adubos, todos orgânicos”.

Adilson, que vende com facilidade tudo o que consegue produzir, está vendendo a fruta a R$ 15 o quilo, mas se alguém for buscar na propriedade, na Estrada Cooperativa, poderá negociar um preço bem mais em conta.

Problema herdado

O morango semi-hidropônico inicia sua vida em Marialva com o mesmo problema que há anos afeta a cultura da uva, da laranja e a olericultura: a falta de mão de obra. “A colheita tem que ser feita todos os dias e o dia inteiro, mas somente eu e minha mulher temos que fazer tudo porque não conseguimos contratar trabalhadores”, diz Adilson Gallo. A reclamação é a mesma de Tamura e das outras duas dezenas de pioneiros na cultura.

“Muita gente tem desistido de plantar uva nos últimos anos por falta de gente para trabalhar e o morango enfrenta a mesma dificuldade”, diz Nilson Barnabé, da Emater. Com tantas alternativas de trabalho na cidade, principalmente na construção civil, não sobra quem queira trabalhar na zona rural, explica.

Fonte:O Diário.com por Luiz de Carvalho em o 19 de agosto de 2015


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