Feiras orgânicas estimulam microprodutores


RIO - Agroecologia é um termo que faz referência a uma agricultura ambientalmente sustentável, que valoriza a proteção ao meio ambiente, a inclusão social de grupos de pequenos produtores, e o consumo de produtos livres de agrotóxicos, indo na contramão da metodologia do agronegócio. O Brasil hoje é um dos países que mais consomem produtos contaminados (segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, cada brasileiro consumiu, em 2016, 7,3 litros de “veneno”), que podem trazer graves danos à saúde. Quem pretende excluir os agrotóxicos da dieta ; colaborar com a proteção ao meio ambiente e ao mesmo tempo incentivar os pequenos produtores, tem na região quatro opções de feiras ecológicas, sendo três cadastradas no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas (nas praças Xavier de Brito, Afonso Pena e Edmundo Rêgo) e outra realizada desde outubro, a Feira Agroecológica da Uerj.

Barracas com frutas, verduras, grãos, sucos, geleias, processados, laticínios e doces variados estão disponíveis nas feiras. O preço é mais alto, quando comparado ao dos produtos de mercados e tradicionais feiras de rua. Mas, garantem os produtores, tudo é muito mais saudável e saboroso.

A ideia de criar um evento nos moldes do que é feito hoje na Uerj começou em outubro de 2015, após o Primeiro Encontro Nacional de Agricultura Urbana, organizado pelo Instituto de Nutrição da universidade. Um ano depois nascia a feira, hoje realizada às terças, das 13h às 19h, na entrada próxima ao portão da Radial Oeste.

Cerca de 17 produtores de diversos bairros do Rio e também de cidades como Petrópolis e Magé participam da feira. Todos são afiliados a ONGs como Abio, Aspta e à Rede Carioca de Agricultura Urbana, que tem como princípio o incentivo a microprodutores do estado. Antes dos produtos chegarem à feira, agricultores realizam as inspeções nos quintais dos outros, numa espécie de gestão participativa, sempre com o aval dos agentes dessas entidades, que confirmam a idoneidade do que será posto à venda. A feira da Uerj não recebe o selo “orgânico” porque os participantes não são afiliados ao circuito, ou seja, não têm o certificado dado por associações de certificação ou organizações de controle social do Ministério da Agricultura.

— Não somos filiados ao Circuito de Feiras Orgânicas, mas nossos produtos não deixam de ser orgânicos, já que são rechaçadas sementes que não sejam crioulas, adubos comerciais, e fertilizantes, além de termos uma inspeção rigorosa — conta Nathália Nunes, uma das organizadoras e integrante do Instituto de Nutrição.

Marcos Melo, diretor da Essência Vital, organização civil que comanda sete feiras do Circuito Orgânico, diz que faltam políticas públicas adequadas ao setor para estimular ainda mais as feiras.

— A prefeitura nos ajuda a ocupar o espaço público, mas não existe um financiamento ou um projeto de qualificação dos produtores, por exemplo. Isso faz falta, e faz com que o crescimento seja mais demorado. Para que as feiras e os produtores avancem é tudo feito na garra. A maioria dos produtores são pessoas muitos simples. É um desafio enfrentar a concorrência desleal do agronegócio — acredita Melo, que comanda as feiras da Praça Edmundo Rêgo, no Grajaú, criada em 2016, e realizada às quintas; e da Praça Xavier de Brito, na Tijuca, que acontece todo sábado desde 2015.

A mais antiga da região, a feira da Praça Afonso Pena, é realizada sempre às quintas, desde 2011, com organização da Abio. Reúne clientes fiéis como a aposentada Marluce de Oliveira, moradora do Flamengo. Ela pega o metrô toda quinta para comprar produtos como os da barraca de laticínios do grupo Entreserros, da cidade de Mendes, no Sul Fluminense, que oferece derivados do leite orgânico.

— Sou freguesa assídua. Os produtos são excelentes e os feirantes, comprometidos. O legal é que o consumidor acaba aprendendo os períodos naturais dos alimentos, pois aqui tudo é vendido de acordo com a sazonalidade da colheita, diferentemente das outras feiras, quando se vê tudo a toda hora, graças aos agrotóxicos.

Fonte: O Globo por Maurício Peixoto em 08-02-2017


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É um serviço de Cristiano Gomes e L&C Soluções Socioambientais

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