Microempreendedores apostam nos orgânicos


Quando o engenheiro agrônomo Egon Prezoto Bertolaccini começou a trabalhar na produção de cafés diferenciados no Norte Pioneiro do Paraná, há seis anos, não imaginou os frutos que essa atividade renderia. Associando aprendizados técnicos com infraestrutura e tecnologia em equipamentos, o engenheiro deu início a uma produção orgânica e, pouco tempo depois, obteve a certificação não só orgânica de seus produtos, mas também o selo biodinâmico.

Tais selos identificam o café Terrara como um produto com rigorosos padrões de qualidade, desde a implantação da muda no campo até a armazenagem correta dos grãos após a colheita.

Comercializado atualmente em dez pontos de venda em Londrina, além de suprir capitais e outras cidades do interior, Bertolaccini tem contabilizado um crescimento anual na margem de 10% e afirma avistar um futuro bastante promissor. "Acabamos de voltar de uma das feiras mais importantes do setor e vimos como o mercado de orgânicos está fomentado e em plena expansão. Tem muita gente querendo investir e já se preparando para abrir um negócio no setor, principalmente os mais jovens", revela.

Tal movimentação reflete o otimismo do setor que projeta um crescimento de 30% ainda neste ano, seguindo o contrafluxo do momento econômico do País. Segundo a coordenação de Agroecologia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em 2013 eram 6.700 unidades de produção orgânica, enquanto que hoje, já somam 14.449, acumulando 115% de alta. Um aumento que deve movimentar cerca de R$ 2,5 bilhões.

Em outra contagem, a produção orgânica se faz presente em 22,5% dos municípios brasileiros, entre eles o Paraná, que atinge a marca de terceiro maior Estado com 1.414 produtores certificados, perdendo apenas para São Paulo (1,44 mil) e Rio Grande do Sul (1,55 mil).

Somente no ano passado, técnicos do Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO), em parceria com a ONG Ecovida, certificaram 250 novas propriedades no Estado, número duas vezes maior que 2014. "O consumidor tem buscado produtos mais saudáveis e, nessa tendência, os orgânicos têm se destacado por ter uma rastreabilidade, uma certificação. E em função dessa demanda do mercado cria-se novas oportunidades, principalmente para microempreendedores", comenta Ming Liu, fundador e diretor do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável – Organis.

O coordenador estadual de olericultura do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Iniberto Hamerschmidt, ainda acrescenta o benefício à geração de empregos. "Cada hectare plantado com orgânico, ocupa duas pessoas por ano", aponta. Ele observa ainda que o maior crescimento no Estado tem sido na produção de hortaliças. Na safra de 2006/2007, a produção de 17.460 toneladas passou para um volume de 50.413 toneladas em 2014/2015. "Um aumento de 190% no cultivo", contabiliza, citando a exploração de aproximadamente 30 espécies. Em relação ao café, o coordenador cita o registro de 41 produtores orgânicos, sendo cerca 15 na região de Londrina.

A regulamentação do setor de orgânicos no Brasil ocorreu em 2011, o que justifica o desafio de promover e amadurecer o setor. "A Organis tem trabalhado justamente com o objetivo de trazer novos empreendedores e, ao mesmo tempo, desenvolver esse mercado, estimulando as pessoas a vivenciá-lo", completa Liu

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São seis anos de desenvolvimento de projetos com produção orgânica, mas a formalização do Núcleo de Estudo de Agroecologia (Neagro) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) ocorreu há um ano.
Coordenado por Maurício Ursi Ventura, o Neagro orienta os interessados no processo de certificação de produtos orgânicos, além de ministrar cursos e oficinas com o objetivo de capacitá-los. "Temos percebido um crescimento de 20% ao ano no número de produtores, especialmente pequenos empreendedores. É um percentual pequeno se comparado ao crescimento da demanda, que tem sido justamente um atrativo para esse modelo de negócio, aliado muitas vezes com o desejo de se trabalhar sem uso de agrotóxico", afirma.

A certificação se divide em duas modalidades, e quando é feita através da universidade, não tem custo. "Ela pode ser obtida por auditoria ou mecanismo participativo. Neste, o produtor é certificado pelos próprios pares, ou seja, por outros agricultores. Já por auditoria decorre por meio de uma parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar)", detalha.

Mas a certificação também pode ser obtida através de uma instituição privada, mas haverá um custo, na faixa de R$ 2 mil a R$ 3 mil. Em relação ao tempo do processo, Ventura explica que é variável e depende das características de cada propriedade. "Se for um pequeno produtor e se a área ainda não foi utilizada para nenhum cultivo, a certificação pode ocorrer em seis meses", afirma. O Neagro é financiado pelo CNPq e o Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO) pelo governo do Estado. (M.O.)

SERVIÇO

Núcleo de Estudo de Agroecologia (Neagro)
Informações no Departamento de Agronomia da UEL, pelo telefone: (43) 3371-4555

Fonte:Folha de Londrina por Micaela OrikasaMicaela Orikasa em 20-06-2016


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