Merenda escolar vai ter produtos orgânicos em Mato Grosso

Da assessoria

      A forte organização social da população dos municípios que integram a região conhecida como Portal da Amazônia, no norte do Mato Grosso, resultou em um feito surpreendente. A partir da próxima segunda-feira (23), 25 mil alunos de dez municípios vão receber duas refeições semanais a base de produtos orgânicos.

      Para incluir produtos na merenda escolar é preciso aprovação de projeto de lei pela câmara dos vereadores. Ou seja, "em cada um dos dez municípios foram aprovados projetos semelhantes", explica o presidente da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), Domingos Jari Vargas. A cooperativa reúne 400 produtores que vão fornecer os produtos para a merenda escolar.

      Nesta quinta-feira,19, o programa de introdução de produtos orgânicos na merenda será lançado oficialmente, durante a programação do Amazontech 2004, que está sendo realizado no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT), até sábado (21). O lançamento na capital será seguido de outros nos municípios envolvidos, informa a líder da Unidade de Desenvolvimento Local do Sebrae no estado, Dalila Jaber Torre do Vale.

      A estratégia de lançamento visa sensibilizar a população do Estado para a iniciativa e ajudar a abrir as portas para o futuro do projeto, que está sustentado em outro. Na verdade, essa história foi iniciada no final de 2002, com a implantação do Projeto Vida Rural Sustentável. Na época, líderes da região do Portal da Amazônia procuraram o Sebrae para sensibilizar os produtores de pequenas propriedades sobre a agricultura orgânica.

      Baseada na experiência bem-sucedida de produtores rurais de Santa Catarina, que fornecem alimentos para a merenda escolar até da capital do estado, o Sebrae Nacional montou dois pilotos, um no Mato Grosso e outro em Alagoas. Técnicos do Sebrae no Estado realizaram um trabalho de sensibilização com os produtores envolvidos, informa a técnica Dalila.

      Os produtores foram motivados a trabalhar unidos, conta a técnica. Assim, organizaram-se em núcleos de produção, primeiro passo para ganhar volume e pensar em agroindústrias. O beneficiamento dos produtos era o passo seguinte para agregar maior valor. Hoje, o projeto conta com cinco agroindústrias que atendem 50 famílias. Nessas agroindústrias é processada, por exemplo, a cana-de-açúcar e transformada em melado e açúcar mascavo. Há, ainda, unidades de produção de guaraná, farinha e óleo de castanha, café, conservas e uma quinta para abate de pequenos animais.

      Com a entrega das 50 mil refeições semanais, cada família de agricultores terá um acréscimo na renda de cerca de um salário mínimo por mês. "São famílias de baixa renda, que tiram em torno de R$ 200 por mês atualmente", calcula o presidente da cooperativa. Com a meta de atender 100 mil alunos até o final de 2005, os produtores apoiados pelo Sebrae estão na fase de consolidação do projeto, diz Domingos.

      Os produtores também estão trabalhando no processo de certificação orgânica. Até o mês de setembro, eles irão receber a inspeção da Ecocert, órgão que concede este tipo de certificação. Com o reconhecimento da procedência dos produtos, os agricultores vão marcar presença na Biofach 2004, um evento importante de agric ultura orgânica que acontece no mês de setembro, no Rio de Janeiro.

      Para agregar mais valor aos produtos, estão programadas à instalação de mais 25 agroindústrias. A idéia é implantar de abate de frangos e suínos, de leite, mel, mandioca, hortaliças, conservas e processamento de frutas, informa o presidente da cooperativa. Depois de concluída esta fase e desse projeto-piloto estar consolidado será ampliado para outros municípios, diz a técnica Dalila.

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Data da notícia: 19/8/2004

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