Mercado de alimentos orgânicos cresce mais que o de produtos convencionais


O setor de alimentos orgânicos no Brasil vem surpreendendo os economistas diante do forte crescimento apresentado mesmo em meio à um momento de crise na economia do país.  Segundo dados de uma pesquisa feita pela Organics Brasil, o setor registrou um crescimento de 20% no ano de 2015. A pesquisa projeta para 2016 que o consumo de produtos orgânicos no Brasil deve crescr pelo menos 30% em relação ao ano passado.

O desempenho do setor no país é surpreendente quando se compara com as taxas registradas em nível global. A Consultoria Organics Monitor pontua que em 2015 o crescimento do mercado de orgânicos no mundo inteiro avançou a taxas que variaram entre 5% e 11%, no máximo enquanto nosso país cravou índice de 20% ao ano.

O Brasil, no entanto, tem um peso muito pequeno nesse mercado global, pois representa menos de 1% da produção e do consumo, dado que revela o imenso potencial do país no segmento. 

Segundo especialistas como o coordenador da Organics Brasil, Ming Liu, para dar um salto à frente nesse segmento, falta maior organização da cadeia produtiva de alimentos orgânicos e do sistema de certificação. “O mercado de orgânicos no Brasil ainda é um ‘nicho’ pouco organizado. A cadeia produtiva funciona em blocos isolados mesmo dentro de uma determinada região, não consegue atender a demanda dos consumidores”, argumenta Liu.

Em Cuiabá, o projeto Espaço Vitória – uma iniciativa socioambiental patrocinada pela Petrobras – desenvolve uma série de ações voltadas à difusão e ao fortalecimento da produção orgânica de alimentos. A organização de uma cadeia produtiva de alimentos orgânicos na baixada cuiabana também é uma das preocupações do projeto. “A Cooperativa Verde Vitória (Coopervv), por exemplo, nascida a partir do Projeto Espaço Vitória, produz hortaliças orgânicas, mas, não consegue atender toda a demanda que recebe por alimentos, nem em quantidade, nem em variedade. Este ano, a Coopevv vai ampliar sua produção própria e buscar novas parcerias com outros produtores orgânicos da baixada cuiabana para poder oferecer um mix de produtos mais variado aos consumidores”, explica Ralf Lourenço, presidente da Coopevv.   

As perspectivas de ganhos para os produtores de orgânicos ao longo de 2016 são tentadoras. Em todo o país, estimativas apontam que no ano passado o setor movimentou algo como R$ 2,5 bilhões, podendo superar a casa dos R$ 3 bilhões neste ano apenas com as exportações. Ou seja, os valores gerados pelo consumo interno está fora deste cálculo das consultorias especializadas que analisam o setor. 

O crescimento do consumo de produtos orgânicos em Cuiabá, por exemplo, é reprimido principalmente pela baixa oferta desse tipo de alimento. “Ainda temos poucos produtores engajados na produção de alimentos orgânicos no estado. Há todo um trabalho a ser feito também no campo da organização de uma cadeia produtiva e de distribuição capazes de atender minimamente a demanda regional. Também temos que superar o desafio da produção de insumos como adubo orgânico, conhecimento de técnicas de controle de pragas, manipulação e conservação desses alimentos. Nesse sentido, o Espaço Vitória é um parceiro proativo dos produtores e interessados na agricultora orgânica”, salienta Paulo Wagner Moura, coordenador do projeto.

 

Fonte:Instituto Cidade Amiga em 29-02-2016


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