Mel brasileiro, sem veneno, ganha mercado externo


Maior produtor do mundo aplica defensivos químicos na apicultura e assusta mercado europeu

Jota Oliveira
Reportagem Local

A China, maior produtora mundial de mel, com 230 mil toneladas/ano, tem perdido mercado por usar produtos químicos na apicultura e, como as abelhas brasileiras se alimentam de flores, sem agrotóxicos, o Brasil pode aumentar sua participação no mercado europeu, que comprava 50 mil toneladas de mel chinês por ano. Esta é uma oportunidade que os apicultores paranaenses também podem aproveitar.

O Mercado Comum Europeu, assustado com a doença-da-vaca-louca, ''não quer nem ouvir falar em abelhas que precisam de veneno para produzir mel'', segundo o presidente da Associação Paranaense de Apicultores (APA), Sebastião Ramos Gonzaga. Agora os europeus procuram mel orgânico e o encontram no Brasil, onde ''abelha só come flores''. Varejistas de mel reclamam que têm enfrentado a concorrência de compradores americanos e europeus que pagam US$ 5 por quilo. Gonzaga admite que os apicultores paranaenses ''em muito se beneficiaram'', porém afirma que o preço no atacado nunca chegou a US$ 5 o quilo, mas no máximo a US$ 2,50, ''o que é muito bom, face ao valor elevado do dólar em relação ao real.'' Só podem exportar os entrepostos com casa de mel sob inspeção federal que tenham o SIF internacional.

Os Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido ''querem muito mel'', e o exportador ganha R$ 33,00 por kg. ''Deduz-se o custo do produto colocado a bordo e aí sobra pouco para o apicultor.'' No mercado internacional o preço do mel varia de US$ 2,50 a US$ 2,70 o quilo no atacado e a própolis bruta a US$ 15-50/kg.

Na opinião dos varejistas, embora benéfica para os produtores, a concorrência dos compradores ''a US$ 5'' está afastando seus tradicionais fornecedores de mel de boa qualidade, pois não conseguem competir no preço. Bernardo Fajardo, dono de uma loja de mel no Mercado Municipal do Shangri-Lá, em Londrina, é meeiro na produção, mas os meeiros estão
escasseando e ele compra mais de pequenos fornecedores. Sua principal fonte atual é a produção própria. ''Para não perder meus meeiros, eu teria que comprar o mel a US$ 5 o quilo e vender por R$ 25/R$ 30 no varejo, após acrescentar as despesas com transporte, limpeza e manutenção da parceria.'' Esse preço, ele tem certeza, afastaria os consumidores.


Fajardo esteve nos Estados Unidos e comprou mel brasileiro, já pronto para consumo, a US$ 5 as 350 gramas. Os americanos compram também mel da Argentina e do Uruguai - ''produtos de qualidade inferior; o melhor mel do
mundo é o brasileiro'', afirma o produtor-varejista.

De Curitiba, o presidente da APA justifica a posição dos apicultores. ''É verídico que os varejistas estão tendo dificuldades, pois se o apicultor pode vender por mais, não vai entregar seu produto por miçanga. É a lei da oferta e da procura. Leis de mercado são assim mesmo.''

fonte:Folha de Londrina, 02/07/03

 
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